11 de Setembro: A virtude cardeal da Fortaleza

Hoje é o dia 11 de Setembro. Um dia que, todos sabemos, vive na infâmia da história mundial. O dia em que terroristas da al-Qaeda, um grupo terrorista islâmico de orientação sunita, sequestraram 4 aviões civis para atacar o coração dos Estados Unidos. Três aviões atingiram seus alvos: O World Trade Center, em Nova Iorque, e o Pentágono, em Washington. O quarto nunca atingiu seu alvo, graças à coragem dos passageiros que, desarmados, enfrentaram os terroristas (que acabaram derrubando o avião numa zona rural desabitada).

Muito já se falou e escreveu sobre o onze de setembro. Mas, sendo uma data que não deve ser esquecida, mais e mais se deve falar.

Pretendemos, hoje, usar a história de um dos heróis daquele dia para personificar uma das quatro virtudes cardeais, a fortaleza. A escolha de um herói é difícil: Os atos de heroísmo foram inúmeros naquele dia. Um dos personagens que mais nos chamou a atenção foi o de Rick Rescorla, um veterano da Guerra do Vietnã, chefe de segurança da corretora Morgan Stanley, que conseguiu evacuar quase todos os trabalhadores da empresa, localizada em uma das torres do WTC, e que morreu enquanto verificava que ninguém havia ficado para trás.

Mas escolhemos o heroísmo dos bombeiros. 411 profissionais de emergência (policiais morreram naquele dia. Destes, 343 eram bombeiros. Um deles foi o nosso sobrinho/irmão DeMolay Michael Haub (dois outros DeMolay morreram naquele dia: Jon C. Vandevander, um corretor de seguros que trabalhava no 92o andar da torre 1World Trade Center, e Edward Earheart, um marinheiro que trabalhava no Pentágono)

michael-haub2Michael Haub, em foto oficial

Haub nasceu em 13 de junho de 1967, em Nova Iorque. Foi Mestre Conselheiro do Capítulo Nassau da Ordem DeMolay. Era casado e tinha dois filhos.  Era bombeiro desde 1988, e ingressou no Corpo de Bombeiros da cidade de Nova Iorque em 1999.

Como to050909fdnywtc-xdos os bombeiros que naquele dia se apresentaram para o dever o irmão Haub sabia que a missão era perigosíssima, e que havia uma grande possibilidade de não voltar com vida. Não obstante, os bombeiros não vacilaram: entraram nos prédios em chamas e subiram as escadarias, prestando socorro aos feridos e desorientados, ajudando a evacuar um enorme número de pessoas enquanto progrediam para os andares superiores, onde centenas de pessoas estavam cercadas pelo fogo. Foram a própria personificação da virtude cardeal da fortaleza, sobre a qual toda pessoa, e todo maçom em particular, deve refletir.

Thomas Smith Webb, ritualista americano e considerado um dos “pais” do Rito de York assim escreve sobre a virtude da Fortaleza no seu “Monitor dos Franco Maçons”:

É esta constante e firme disposição da mente pela qual nos sujeitamos a enfrentar a dor, riscos e perigos quando bons propósitos o digam. Esta virtude é equidistante entre a temeridade e a covardia. Tal como a anterior, deve estar bem gravada na mente de cada maçom, como salvaguarda contra qualquer ataque injusto.

Não que a virtude da fortaleza exclua o medo. Ao contrário. O medo e a coragem se apresentam numa proporção equilibrada. A virtude da fortaleza pode ser assim explicada:

Lembrando a frase de Eric Voegelin: ‘Toda vida humana está integrada em uma hierarquia de bens’. Isto é básico. Hierarquia de bens: este bem que eu desejo não é tão valioso quanto aquele outro. Por exemplo, a vida moral começa no instante em que o bebê tem de escolher entre a posse de um objeto desejado e a amizade com o irmãozinho, não dá para ter as duas coisas ao mesmo tempo. Sempre se tem de fazer uma escolha, e nessa escolha entra uma hierarquia de bens. Nós estamos fazendo essas escolhas o tempo todo e quando fazemos a escolha errada, em geral, é porque não nos lembramos que existe uma hierarquia, que existe o mais importante e o menos importante; [que existe] a perspectiva da vida eterna ou a limitação da vida a este espaço terrestre. Como seres biológicos, nossa tendência é defender, em primeiro lugar, nossa subsistência biológica — é instintivo. E é um valor, sem dúvida. Você continuar vivo é um valor. Por que você e não o outro? Por exemplo: há um incêndio, você vai salvar a si mesmo e deixar seu filho queimando lá dentro ou vai salvar seu filho com o risco da sua própria vida? Você terá de fazer uma escolha. O problema da coragem, no fim das contas, é apenas uma questão de [escolher] qual é o bem que você preza mais. Se você descobre bens maiores, no fim das contas a sua própria vida não tem mais importância; o importante não é conservar a vida, mas gastá-la e se preciso perdê-la em função de um bem maior, de um bem que merece ser mais amado. É só este o problema, ou seja, a covardia é uma falta de amor ao próximo, em primeiro lugar, e de amor a Deus, em segundo lugar [que morreu na cruz por nós]. [A coragem] não é uma virtude que tem em si a sua própria substância, ela deriva de uma outra coisa, ela deriva da noção do bem maior”. (CARVALHO, Olavo de. Curso Online de Filosofia, aula de 13/02/2016). Transcrição de Carla Farinazzi.

C.S. Lewis, o grande escritor autor de “As Crônicas de Nárnia” nos lembra no seu livro “Cristianismo Puro e Simples” que sem a Fortaleza “não se consegue colocar em prática nenhuma das outras virtudes por muito tempo”.

Que o sacrifício dos homens e mulheres que morreram no 11/09 para que outros pudessem viver nos sirva de espelho e lembrete de que a qualquer momento, da forma mais inesperada, podemos ser testados nesta virtude. Como naquela bela manhã de sol sem nuvens, no dia  de setembro de 2001.

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