A essência da Franco-Maçonaria Escocesa

O presente texto foi postado recentemente pela página oficial da Grande Loja da Escócia no facebook. Segundo a postagem, o texto havia sido encaminhado para todas as lojas jurisdicionadas, a fim de que fosse lida em sessão. Pela sua relevância, traduzimo-lo para o público brasileiro tomar conhecimento de como nem tudo é igual no mundo maçônico, e que, sim, existe um outro modo de ser “Potência”.

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A essência da Franco-Maçonaria Escocesa

Por Robert L. D. Cooper

Tradução: Edgard da Costa Freitas Neto, MM

Recentemente têm ocorrido algumas discussões sobre o ‘significado’ do Ritual, Paramentos e Simbolismo maçônicos da Escócia. Lendo a Constituição da Grande Loja da Escócia (GLE) ninguém poderá se surpreender em perceber que não há ali opiniões sobre estes temas. O silêncio no significado de todos estes aspectos da Maçonaria Escocesa, não apenas na Constituição mas também nos demais publicações oficiais não significa que tais opiniões não existam, ao contrário. Então, por que não há explicações oficiais sobre nenhum dos elementos da maçonaria Escocesa? Esta é uma questão que vai no cerne de o que é a Maçonaria Escocesa.

A GLE acredita que a Maçonaria Escocesa é uma trama de tecido no qual e em torno do qual os indivíduos empreendem sua jornada maçônica. Esta visão em parte se deve à história e às origens da Maçonaria Escocesa e à psique dos escoceses em geral. Sem entrar em muitos detalhes, é suficiente explicar que antes que a GLE surgisse em 1736 já existia uma rede nacional de Lojas, pelo menos, desde 1598, se não antes, cujos membros eram tanto pedreiros como não pedreiros.

Haviam Lojas compostas exclusivamente por pedreiros (como, por exemplo, a Lodge of Journeymen Masons nº 8), Lojas que não possuíam nenhum pedreiro em seus quadros (como a Haughfoot Lodge) e lojas que possuíam pedreiros e não pedreiros (como a Lodge of Aberdeen) em seus quadros. Essas Lojas existiam independentemente umas das outras e sem nenhum poder central que as dirigisse. Esse sistema era – e em certa medida ainda o é – bem adequado à psique dos maçons escoceses (bem como da população em geral). A independência das Lojas de antes de 1736 se traduziu num importante grau de independência para as Lojas fundadas após 1736.

Diferentemente de outras Grandes Lojas que têm – e usam – muito mais poder, a GLE funciona mais como uma facilitadora e Conselho Consultivo. Esse método de governança não autoritário é desconhecido no resto do mundo maçônico e impacta diretamente na natureza da Maçonaria Escocesa.

Ainda que haja certo consenso entre os maçons escoceses sobre o significado que podem ter alguma palavra ou símbolo particular, nem por isso se excluem explicações alternativas. A letra G é suficiente para ilustrar este ponto: Um franco maçom cristão normalmente interpretará a letra ‘G’ como ‘Deus’ [God], mas um francomaçon muçulmano certamente rejeitará tal ideia, pois não pode aceitar que Deus possa se reduzir a uma mera letra do alfabeto humano. Ele poderá, certamente, argumentar que ‘G’ significa Geométrico ou Geometria. Pela mesma razão um maçom judeu poderá argumentar que ‘G’ significa ‘bondade’ [goodness] – a bondade inata em cada ser humano. Há inúmeras outras explicações possíveis. Mas assim que a GLE expresse uma opinião sobre o significado de ‘G’, então ela se tornará a explicação de facto e, portanto, aceita pela maioria dos maçons escoceses. Se a GLE começar a emitir interpretações estará, com efeito, criando um ‘dogma’ maçônico, algo que poderia ser usado para definir a Maçonaria como religião, algo que os maçons sempre rejeitaram.

A Maçonaria escocesa é, portanto, considerada uma experiência ou jornada individual, ainda que feita com ajuda, assistência e orientação de outros maçons. O significado e a interpretação do ritual, do simbolismo e dos paramentos maçônicos escoceses, por uma boa razão, não é fixo, mas deixado para a interpretação do indivíduo maçom.

E esta é a principal razão pela qual a Maçonaria Escocesa permanece única no mundo maçônico.

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