Crise racial faz vítimas na família maçônica americana

A questão racial americana, que volta e meia ganha os noticiários, atingiu agora diretamente a família maçônica.

Em 06 de julho Philando Castile, um homem negro de 32 anos, foi parado pela polícia enquanto conduzia o seu carro por conta de uma pequena infração de trânsito. Ao ser abordado, informou que estava armado – ele possuía porte legal de arma de fogo – sendo baleado em ato contínuo pelo policial. Sua noiva conseguiu filmar e transmitir ao vivo pelo facebook a agonia de Philando e o nervosismo do policial.

No dia 07 de julho,  em Dallas, Texas, ao término de um protesto pacífico do movimento Black Lives Matter contra a morte de Philando e a impunidade geral percebida quando policiais matam negros nos EUA, um militante racista negro, Micah Johnson, abriu fogo contra doze policiais brancos, matando cinco deles e ferindo nove antes de ser morto.

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Philando era sobrinho de Clarence Castile, Delegado Distrital da Grande Loja de Minnesota (Prince Hall). Seu tio, em entrevista à CNN na manhã do dia 07, fez um pedido maçônico de socorro em prol de justiça e união.

Dentre as vítimas do tiroteio em Dallas estava o policial Brent Thompson, 43. Brent era Sênior DeMolay e Mestre Maçom da Loja Corsicana nº 174, Grande Loja do Texas. Era pai de 6 filhos, alguns deles membros da Ordem DeMolay

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O racismo ainda é uma questão sensível nos EUA. Periodicamente jovens negros acabam baleados e mortos em interações desastrosas com policiais (na maior parte das vezes, brancos), normalmente iniciadas em questões menores como, no caso de Philando, um farol queimado, redundando quase sempre na impunidade do perpetrador, absolvidos por júris condescendentes com a violência policial.

De outro lado, uma retórica cada vez mais virulenta que, sob o disfarce de anti-racismo, encontrou em Micah Johnson sua forma mais paroxística.

A divisão racial também atinge a Maçonaria nos EUA. Historicamente as  Lojas Prince Hall – regulares na origem e na prática, e reconhecidas internacionalmente – emergiram como centros agregadores dos negros excluídos na Maçonaria dita mainstream. Só muito recentemente as Lojas Prince Hall e as Lojas tradicionais começaram a se reconhecer mutuamente e, internamente, a derrubarem as fronteiras de raça que impediam, por exemplo, um branco de se iniciar numa Loja Prince Hall e um negro de iniciar numa Loja mainstream.

Mas ainda há resquícios. Em 10 Grandes Lojas,  todas de Estados que fizeram parte da Confederação durante a Guerra Civil esta ridícula segregação maçônica permanece. Em 2009, por exemplo, a Grande Loja da Geórgia tentou punir uma loja que iniciou um candidato negro. Em 2012, se relatou que uma Loja jurisdicionada à Grande Loja da Flórida (mainstream) simplesmente cancelou a sessão agendada quando recebeu a visita de um maçom negro oriundo da Grande Loja de Nova Iorque (também mainstream).

O apelo fraternal do Irmão Clarence não é por vingança, é por justiça. Somente a justiça pode quebrar os ciclos de vingança e permitir que os irmãos vivam em união. Possam as tragédias de Philando e Brent permitir que os maçons americanos sejam mais rápidos em demolir esse muro torto e desnivelado que existe na Fraternidade lá e tomarem a iniciativa de refrear o discurso de ódio e de separação.

This article has 3 Comments

  1. Infelizmente eu como um homem livre e de bom costumes por mais que me esforce para entender isso(Preconceito ou Racismo … me sinto incapaz , pois se num pais que é referencia em Democracia , meus Irs. ‘ . de cor sao assim tratados , pensem o que acontece com meus Irmaos Negros aqui nas plagas Tupiniquins ?

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