Iluminismo, Liberdade e Religião

Nos dizeres do historiador Americano Isaac Kramnick, a ideia central do Iluminismo era a de que “a razão, e não a fé ou a tradição, que deveria constituir o principal guia para a conduta humana”.

Inegável o entrelaçamento entre o movimento iluminista e a Maçonaria moderna. Mesmo descontando-se os exageros dos pseudo-historiadores de nossa ordem, ainda resta vasto acervo de fatos e personagens comuns.

Como absolutamente tudo no universo, a humanidade também está em movimento, por vezes, cíclicos. Por mais que falemos nos avanços impulsionados pelo iluminismo, este foi, em essência, mais uma etapa no eterno movimento “Sisto-diastólico” da ralação entre liberdade e a economia. Quem se aventura pela história da humanidade pelo viés histórico-econômico como fez Leo Hubberman em sua Magistral obra “História da Riqueza do Homem”, publicado no início do século passado, percebe o peso do vil metal em tudo. A referida obra vai do feudalismo às vésperas da invasão da Polônia pelos alemães em 1939, mostrando como todos os movimentos repressivos ou liberalistas se deram por uma questão econômica. Se é preciso um governo forte, se é preciso retirar liberdades para proteger o capital, que assim seja… Como ocorreu no mercantilismo, fascismo…. Se o governo começa a atrapalhar os negócios, é hora de ter mais liberdades, vide liberalismo e, claro, o iluminismo.

Sem querer desfazer do viés de revolução intelectual, não podemos deixar a razão ser abduzida pelo romantismo e encarar tudo como uma benevolente tendência de fazer algo em nome do bem da humanidade.

E a Maçonaria? Vimos como característica do pensamento iluminista, a prevalência da razão sobre a fé ou a tradição. Como justificar o crescimento e consolidação das bases da Maçonaria moderna justamente nessa época? Afinal, a Maçonaria é tradicionalista e, apesar de não ser religião, é religiosa, ao ponto de impor como uma das poucas condições essenciais ao candidato a ingresso a crença em um ser superior, em outras palavras, para ser maçom é preciso ter fé. A incongruência é apenas aparente! Na realidade, é por conta da razão, é por poder ter liberdade para pensar que a fé do Maçom é firme, é uma fé escolhida e amparada naquilo que dita a sua consciência, é uma crença livremente escolhida de acordo com critérios absolutamente íntimos, livre de qualquer imposição. Justamente por poder pensar, por ter senso crítico o Maçom sabe quais tradições devem ser incentivadas e quais devem ser combatidas. A escravidão era uma tradição secular, nem por isso deixou de ser veementemente combatida pela Maçonaria.

Mantendo-se religiosa sem ser religião em uma época onde a fé era criticada, sendo tradicionalista sem ser escrava de tradições, a Maçonaria influenciou e foi influenciada pelo iluminismo, impulsionando mudanças que moldaram o nosso mundo de hoje.

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