NOTAS FINAIS SOBRE O LIVRO “ENTRE DOIS AMORES”

“Contra fatos, não há argumentos”. Resposta à tréplica da resenha de “Entre Dois Amores”.

 LUIZ CLAUDIO DE ASSIS PEREIRA

A tréplica elaborada por Edgard Freitas começa por justiçar as omissões de sua resenha afirmando: “resenhas não se destinam a refutar de modo completo, mas a apresentar, de um modo geral, um determinado texto”. Ora, mas foi justamente essa a falha apontada por mim, pois ao ser omisso aos fatos narrados e comprovados no livro, meu oponente mostrou seu lado tendencioso, como ele mesmo disse, ao “escolher alguns aspectos”. Interessante que depois dessa consideração inicial, pensei eu, que Edgard Freitas iria, então, dar sequência à sua tréplica, respondendo aos itens apontados por mim como tendo por ele sido omitidos. Mas, nada. Ele parte para uma estratégia bastante empregada por políticos em debates na televisão, desviando-se do que foi provocado a responder. Mas, para não deixar meu oponente continuar usando esse artifício, antes de responder à sua tréplica, eu vou propor a ele o seguinte: a partir de agora, vamos nos concentrar em pontos específicos. Está bem, assim? Caso não esteja de acordo, não tem problema, voltaremos à formatação atual para continuarmos esse debate. Para simplificar ainda mais, proponho que sua resposta se atenha a apenas três dos seis pontos que apontei na réplica como parte da omissão, agora proposital, os quais reproduzo abaixo:

1- a resenha foi omissa ao não comentar fator narrados e comprovados no livro em relação ao “entra governo, sai governo” tendo sempre um maçom comandando o Poder Executivo Federal, Estadual e Municipal, descrito em detalhes, no capítulo referente à “Ascensão e Queda do Partido dos Trabalhadores”, e no capítulo seguinte, “A atuação política da Maçonaria brasileira”, nos exemplos dados, tanto pelo Estado do Mato Grosso do Sul, quanto pelo Distrito Federal, além da atuação institucional da Maçonaria paulista nas eleições municipais.

2- a resenha foi omissa ao não comentar fatos narrados, e comprovados, no livro, quanto à tentativa de intervenção militar engendrada dentro da sede do Grande Oriente do Brasil, em Brasília, pelo atual candidato à vice-presidência da República, na chapa de Jair Bolsonaro, com apoio declarado de maçons da iniciativa privada, tais como o catarinense dono da Havan, Luciano Hang.

3- a resenha também foi omissa ao não comentar a existência de um grupo autodenominado “maçons petroleiros” que agiu junto ao governo do ex-presidente Lula para a criação de uma subsidiária ligada à Petrobras para atender interesses de seus membros e que essa ação, tal como comprovada, foi articulada pelo Grão Mestre Estadual do Grande Oriente do Estado de São Paulo, Benedito Marques Ballouk Filho.

 

Para finalizar, gostaria de mencionar apenas dois “pequenos” detalhes que, para muitos, poderá passar despercebido.

O primeiro diz respeito à “lista dos 110 ilustres” que a tréplica volta a afirmar ser apócrifa, para, logo abaixo, reconhecer que a mesma tem autor declarado. Não sendo apócrifa, como não é, e sendo tão fácil recorrer ao maçom que a elaborou para verificar sua autenticidade, como ele diz, por que será que o treplicante não o faz? Será que receia a confirmação da mesma ou será que tem medo que a retratação possa soar da mesma forma como aconteceu com a dupla Léo Taxil e de La Rive? E por que deixou de reconhecer também o que foi reafirmado na réplica, qual seja, que o livro aponta exatamente de onde a lista surgiu, quem a fez e como que, “de uma hora pra outra”, ela desapareceu da internet com o firme propósito de que ninguém dela mais tomasse conhecimento? Questões como essas enfraquecem sobre maneira o meu oponente.

O segundo “detalhe” trata de uma “nuance”, como diriam os franceses. Reparem que Edgard Freitas ancorou sua tréplica quase que com a mesma argumentação que finalizou sua resenha quando disse que “A pesquisa sobre a influência maçônica na política é extremamente complicada pela impossibilidade de demonstrar relações causais com precisão, em parte por conta do véu de segredo, em parte pela razão de os fatos sociais terem causas múltiplas e complexas, de forma que nenhum dado, isoladamente, poderá ser interpretado como a causa.”. Há que se destacar que, nesta tréplica, ele deixa de usar o argumento do “véu de segredo”. Será por que? Vale ainda salientar o fato de, apesar de não reconhecer valor na obra lida e resenhada por ele, estrategicamente, Edgard Freitas, dessa vez, deixa margem a uma futura saída honrosa ao concluir que “as relações entre maçonaria e política são um campo que merece um estudo acadêmico sério”. É mesmo?

P.S.: aproveito para informar a que possa interessar que, na semana passada, entrei com uma Representação no Ministério Público Federal para saber “se há instrumento legal para anular eleições que tenham sofrido interferência de sociedades não partidárias secretas ou não”, embasando meu pedido nos fortes indícios apontados no livro. Grato pela atenção. LCAP.

 

CONTRA CRENÇAS NÃO HÁ FATOS OU ARGUMENTOS: CONSIDERAÇÃO FINAL

Edgard da Costa Freitas Neto

  1. Luiz Claudio de Assis Pereira insiste que a falta de provas é prova da falta;
  2. Luiz Claudio de Assis Pereira insiste que uma lista apócrifa prova a filiação maçônica de pessoas vivas que negam a filiação maçônica imputada (como Edir Macedo ou Silas Malafaia);
  3. Luiz Claudio de Assis Pereira não aceita estar errado em relação a Leo Taxil ou em relação à própria ignorância sobre a estrutura interna e externa da Maçonaria.
  4. Luiz Claudio de Assis Pereira acredita que correlação implica em causação.

 

Não há muito mais o que falar. Quem está predisposto, por um mal disfarçado e latente antimaçonismo, a acreditar que todas as pessoas em posição de destaque são maçons até prova em contrário e que a Maçonaria está infiltrada em todos os níveis da sociedade e dá causa aos principais eventos desta mesma sociedade – como um titereiro – vai achar  o livro do Sr. Luiz Claudio de Assis Pereira bastante razoável.

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