Plágio

A Maçonaria Brasileira está repleta de trabalhos sobre ela mesma, ou de assuntos correlatos, publicados pelo menos por umas dez a quinze revistas bem elaboradas, todas elas de alto padrão, com relação ao seu formato, papel de primeira, diagramação, trabalhos bem distribuídos, geralmente de circulação nacional. Existem inúmeros jornais digitais maçônicos publicados, de alcance nacional, ou por lojas para consumo literário e informativo do próprio quadro ou da região, além dos inúmeros boletins informativos. Existe um excelente jornal maçônico digital diário, o único no país por sinal, com publicação de ótimos artigos onde inúmeros escritores de todo o país apresentam o resultado de suas pesquisas, suas opiniões, seus trabalhos, tudo isso dentro de uma neutralidade total por parte do editor que por ser honesto, por ser um maçom justo, contempla maçons escritores de todas as três potencias conhecidas em igualdade de condições. Existem também muitos blogs de Irmãos.

Quer dizer, a Maçonaria Brasileira se não está em melhor situação, não é por falta de publicações culturais maçônicas, pois estas existem em grande quantidade quer através da imprensa escrita, digital, a mais usada atualmente, ou então através de livros escritos por escritores maçônicos competentes. Talvez por esta razão, pelo excesso de trabalhos publicados, onde até trabalhos sobre o grau fazem parte da exigência das lojas solicitando aos Aprendizes e Companheiros a escreverem um trabalho, além da sabatina e interstício para galgarem o grau de Companheiro e Mestre. Há uma tendência muito grande por parte de muitos Irmãos que ao escreverem seu primeiro trabalho e o apresentarem em Loja, fiquem incentivados a partir dai a iniciar um desenvolvimento cultural, uma vocação inata para a escrever que eles nem julgavam ter. Acresça-se que infelizmente o ser humano não é perfeito, muitos Aprendizes e Companheiros apesar de já poderem julgar por si próprios os princípios maçônicos literalmente, saber o que é certo e o que é errado, copiam trabalhos dos outros para cumprirem a referida exigência. Assim começa a saga nojenta dos plagiários.

Há dois tipos de escritores. Os que criam, e os que copiam o que os outros criaram. O segundo grupo felizmente não é a maioria é constituído pelos famosos plagiários ou plagiadores. Mas são muito ativos. Eles já são conhecidos no Brasil. O plágio é um crime previsto pela lei profana, sendo que o plagiário se levado a julgamento e considerado culpado, pode ser condenado. E umIrmão que plagia deveria pagar bem caro o que faz.

O plagiário não tem talento literário, mas quer ser escritor a qualquer custo, usando o trabalho dos outros. Interessante que para enganar ele costuma mudar o título do trabalho. Qualquer um pode escrever, copiando textos de outros desde que cite as fontes ou colocar entre aspas o texto copiado e citar o sempre nome do verdadeiro autor. A partir dai por si próprio através de estudos, ler muito, produzindo novos trabalhos com características próprias, se aprimorando aos poucos, até se tornar um escritor, que poderá ser medíocre ou brilhante, com talento ou sem talento, mas nunca deverá copiar integralmente a obra dos outros.

Eu não considero um plagiário um Irmão, pois ele ao se apoderar de um texto está roubando de um Irmão um trabalho produzido por este. É um desonesto. Maçom não rouba! Interessante que os plagiários ou plagiadores copiam o texto inteiro até as vírgulas, pontuações e até os erros de português e ortográfico e mandam para as revistas e jornais como sendo deles. São pegos facilmente pelos verdadeiros autores.

Eu tenho dificuldade em escrever e expor minhas ideias. Confesso que não sou um escritor brilhante como gostaria de ser e como são alguns poucos no Brasil atualmente. Um dos meus ícones é o pranteado Irmão José Castellani que tinha um domínio fantástico sobre o texto que escrevia e a facilidade em tornar transparente uma ideia, um fato e a sua correta interpretação. Mas tenho que me contentar com o que eu sou e posso produzir, mas sempre tentando melhorar. Brigo muito com os textos que crio. Muitas vezes rasgo ou deleto um trabalho que produzi, porque não estou satisfeito com ele. Sou autocrítico severo. As vezes paro bruscamente de escrever, pois simplesmente não quero mais escrever naquele momento. Mas quando eu produzo algo, isto sai lá de dentro da minha alma do fundo do meu coração. Foi suado. Minha mente trabalhou muito para conseguir escrever aquela peça. Quando me plagiam, estão roubando parte do meu ser, pois foi uma criação minha. Não admito que um maçom possa fazer isso. Isto me corroe, me dilacera, me revolta.

Não se trata de um Irmão usar a mesma ideia de um outro escritor sobre um assunto. Isso é até válido em literatura. O que este tipo de plagiário pilantra faz é copiar o texto inteiro descaradamente.

Vou contar algumas experiências dolorosas que tive com indivíduos plagiários e como reagi. Infelizmente dentro da Ordem existe este tipo de maçom. Maçom? Para mim é um individuo que jamais deveria ter entrado para a Ordem. É um pária, enganador, desonesto consigo mesmo, um indivíduo que quer aparecer à custa de seus Irmãos e não por seu próprio esforço. Eu vou até além, um plagiário, não pode ser um bom Irmão na sua Loja-mãe. É um falso. Não merece fé. Ainda mais uma agravante-Mestre, sempre envolvido com trabalhos administrativos pelo menos entrar em contato com a Loja do plagiário e falar sobre o assunto. Parece proibido falar sobre isso. As autoridades se calam. Admitem tranquilamente, mesmo contra vontade este tipo de falcatrua. Afinal pensam: “o Irmão está nervoso só porque alguém copiou o trabalho dele? Ora bolas, temos mais o que fazer”. Então quando pego um individuo que me plagiou, sabendo que as autoridades maçônicas não tomam conhecimento eu informo a todos os maçons das minhas listas,JB News–Informativo nº 1.940–Florianópolis (SC)–domingo, 24 de janeiro de 2016 Pág.28/41 escrevo para o Grão-Mestre da potência do safardana, para a sua Loja, e para as AcademiasMaçônicas de Letras do país. Pelo menos muitos Irmãos ficarão conhecendo quem é quem.Não citarei nomes, mas eles saberão o que quero dizer a respeito deles. Tenho certeza de que não irão responder. Vestirão a carapuça e farão de conta de que não é com eles. Tenho o nome deles todos os que me plagiaram na memória do meu com computador. Caso se sintam ofendidos será fácil eu provar que eles são plagiários. Só que aí citarei os nomes deles, com provas, se eles por acaso não gostarem deste artigo e quiserem levantar polêmica.

Mencionarei alguns detalhes destes plágios dentre as inúmeras vezes que me plagiaram.

Um médico ginecologista de São Paulo, que infelizmente foi iniciado na Ordem, “escritor” maçônico, já tem vários livros maçônicos publicados, teve a audácia de pegar dois trabalhos meus “A essência” e “Reflexões sobre a Iniciação” e intercalando textos de um trabalho no outro, mas copiando como sempre até as vírgulas produziu um terceiro trabalho com o nome “A essência da Iniciação”. Um médico fazendo isso. Que lastima! Se ele tem livros editados, suponho ele deva ter competência, precisa agir desta maneira? Porque? Possivelmente seus livros são cópias de outros livros. Eu também sou médico e abomino as coisas erradas e principalmente a antiética na Medicina. Imagina na Ordem? Bem, a resposta que ele me deu a respeito de minha comunicação foi evasiva, e como se nada fosse com ele. Que não era bem assim. Mas o Brasil maçônico foi informado a respeito deste plagiário.

Eu há pouco tempo lendo uma edição de uma revista maçônica muito conhecida, um artigo publicado a cerca de mais de vinte anos, eis que deparo com um plágio integral de um trabalho meu. Mas pensei já se passaram tantos anos, será que este indivíduo está vivo? Será que ele se lembra deque plagiou um trabalho de um Irmão? Deixei passar e apenas esqueci este fato, pois se passaram muitos anos. Gostaria de saber o que ele pensa agora, se estiver vivo.

Outro caso de Vitória-ES um mestre presente, ao terminar uma sessão de Instalação de novos Mestres na sua Loja foi escolhido para saudar os novos Mestres e ele simplesmente leu um trabalho meu “Quem sou–Reflexões” como sendo dele. Ficou entusiasmado, porque deve ter sido elogiado e o colocou na Internet. Apenas no final do trabalho nas últimas linhas ele adaptou o trabalho ao momento, mas 95% foi cópia integral do meu trabalho. Ora, fazer uma coisa destas no dia de Instalação de Mestres, o que poderão pensar estes novos Mestres quando souberem que o mestre que os saudou é um falastrão?

Um escritor com livros publicados do Nordeste escreveu um trabalho publicado numa revista maçônica e pelo respeito que eu tinha por ele até então, li o trabalho, mas qual não foi minha surpresa ao constatar que da metade para o fim do trabalho ele havia copiado totalmente textos meus.

Já tive problemas com um Irmão de Curitiba que eu o considerava muito. Tive com ele uma conversa ao pé do ouvido e ele quis me provar que não era plágio. Eu o desmascarei e ele foi obrigado a ouvir o precisava ouvir. Eu ia desmascara-lo naquele dia em sessão da própria Loja à qual ele estava filiado, mas fui tão bem tratado quando lá cheguei pelos Irmãos desta Loja, que achei por bem falar com ele pessoalmente fora do Templo. E foi o que eu fiz. E não poupei adjetivos.

De certa feita na minha Loja-Mãe, a Loja Regeneração 3ª de Londrina, eu estava presente quando um aprendiz apresentou trabalho como uma das exigências para galgar o grau 2. Ele foi muito aplaudido inclusive pelos prolixos trombeteiros de plantão o bajulando, falando maravilhas a respeito do Irmão. Quando chegou a minha vez, eu disse: “Parabéns Irmão pelo seu trabalho. Interessante, há alguns anos eu escrevi um trabalho, igualzinho o seu, até na pontuação. Semelhante em tudo desde o começo até o fim. Que coincidência, não?”.Ele foi desmoralizado. No final da sessão fui admoestado, vejam como a hipocrisia grassa na Ordem, por dois Mestres que foram logo me agredindo com o famoso chavão: “Você não sabe o que é tolerância? Você estragou a carreira deste aprendiz na Ordem. Possivelmente iremos perdê-lo” Eu respondi: “Este individuo nunca deveria ter sido iniciado porque é desonesto. O trabalho que ele apresentou eque vocês aplaudiram tanto e o elogiaram é meu. Isto é plágio. E tem mais, vocês dois também não deveriam ter sidos iniciados. Admitem a desonestidade um aprendiz. Logo, estão de acordo. São iguais a ele. Maçonaria é coisa séria e não piada, pelo menos não para homens honestos”.

Interessante os plagiários são iguais aos políticos corruptos. Não é nada com eles, negam tudo, dizem que não tiveram culpa, que a culpa é do editor, que eles não plagiaram nenhum trabalho.

Não ligam para a lição de moral que lhes passamos inclusive dizendo a eles que eu não os considero Irmãos, que são ladrões de textos, que são pusilânimes que são desonestos. Parece que não é nada com eles. Hipocrisia total. Isto é ser Maçom? Existe um individuo, que mora no interior de Minas Gerais, que é talvez o maior plagiário do momento, já plagiou vários dos bons escritores maçônicos que existem no Brasil, se diz professor, tem blog, e raciocina que o que está na Internet não tem dono. E assim ele está colocando seu nome em trabalhos dos outros. Ele se esquece do que vem a ser ética maçônica. Se um Irmão produz um trabalho e o coloca na Internet, este trabalho tem dono sim: quem o escreveu é o seu verdadeiro dono. Roubar trabalhos de Irmãos é uma coisa feia, é antimaçônico, é coisa de malandro. Foi iniciado por engano. Nunca deveria ter sido trazido para a Maçonaria. Teria mais casos a relatar, mas para não delongar o trabalho eu não irei além.

Os editores nem sempre tem como segurar estes safados. O plagiário manda um trabalho para uma revista ou para um jornal com o seu nome. O revisor diante do grande número de trabalhos que transitam na Maçonaria, não tem, às vezes como atestar se um trabalho foi plagiado ou não. Há cerca de dois meses, o editor de uma revista entra em contato comigo e pergunta se um trabalho era meu, pois tinha chegado à mesma com o nome de outro, como autor. Eu imediatamente confirmei que o trabalho era meu. Pois bem a revista publicou o trabalho em meu nome. O nome do trabalho é “O Maçom, esse desconhecido”. Recebi do diretor da revista a transcrição de um e-mail de um Irmão de Blumenau que entre as coisas que referiu ao meu trabalho, ele termina dizendo “Me ajudou até aliviar minha dor espiritual que venho sofrendo desde a morte de meu Querido e estimado Filho R.L. H ‘Arquiteto’ que perdi no ano passado com 52 anos de idade”. Não será preciso dizer o quanto me emocionei com esta mensagem. E pensar que se o editor da revista não tivesse percebido, este crédito seria dirigido para um plagiário safado!

O plagiário é um “vírus” perigoso dos escritores. Ele pensa que passará impune perante o povo maçônico, mas é ledo engano. Será descoberto e “deletado”. Passará por vexames e será julgado moralmente perante os Irmãos que o tinham como um Irmão sério.

Hercule Spoladore
Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”– Londrina–PR.

Publicado originalmente no JB News – Informativo nº 1.940 – Florianópolis (SC) – domingo, 24 de janeiro de 2016

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