Por que ser Maçom no Século XXI

Todos os dias, ao redor do mundo, centenas de milhares de homens se reúnem em salas fechadas, rodeados de símbolos misteriosos, usando aventais engraçados e repetindo fórmulas que vêm sendo repetidas a quase trezentos anos. Todos os dias, entretanto, uma boa parcela destes homens – e um bom número daqueles que os cercam, seus familiares e amigos – se perguntam: por que?

Vivemos no século XXI. Numa sociedade moderna, conectada. Que relevância tem, qual a vantagem de gastar umas três horas por semana para repetir fórmulas bolorentas do século 18? Por que, meu Deus, eu tenho lá que conhecer cinco ordens de arquitetura, três virtudes teologais, quatro virtudes cardeais, sete artes liberais? Não dava pra resumir o segredo num tuíte de 120 caracteres?

O maçom do século XXI se debruça sobre a régua de vinte e quatro polegadas e suspira, desejando que fosse maior: Nunca há tempo para nada. Não temos tempo para o trabalho (sempre levamos para casa), não temos tempo para nossas esposas, para nossos filhos, para nosso lazer, para Deus. Ainda temos que arranjar tempo para a Maçonaria?

A sociedade moderna vive uma crise gigantesca. Por todos os lados vemos – somos, na verdade – uma massa de homens hiperconectados com o mundo e desconectados do próximo. Sabemos o que se passa no Longínquistão, mas não sabemos o nome do nosso vizinho. Ficamos em grupo, cada qual com seu smartphone. Comemos em casa – um na mesa, outro no sofá, um terceiro no quarto. Cada homem é um Robinson Crusoé (o facebook fazendo as vezes de Sexta Feira).

Religião? Pffff. Se no passado se aprendia que Deus fez o homem à Sua imagem e semelhança, o homem moderno refez deus à sua própria imagem. Acreditamos apenas naquilo de que gostamos, e descartamos o resto. Acreditamos em tudo e em nada. Matamos Deus, lembram-se de Nietzsche? Acreditamos nas coisas da natureza, mas não na causa primeira. Acreditamos em predicados sem Sujeito.

Muitas das pessoas buscam na Maçonaria parte disso que foi perdido. Uns vêem nas Lojas a possibilidade de ascensão social e de gozarem de status que vem atrelado aos aventais rebuscados e aos títulos precedidos de “Grande”. Outros vêem na Arte Real a religião perdida, a fonte de respostas metafísicas para suprir a sua descrença em Deus, ou buscando respostas ocultas nos símbolos arcanos. Outros, ainda, esperam nas oficinas encontrarem o instrumento de revolução política que seus professores de “estória” lhes contara.

A maçonaria não é uma religião. Não possui uma narrativa do começo e do fim do mundo. Não fornece respostas teológicas. Não é, portanto, um substituto da religião. Não é uma seita. Antes, a sua prática pressupõe que o homem se reconecte a Deus. A maçonaria, assim, também pode servir para que o homem do século XXI se volte para sua Igreja, Mesquita ou Sinagoga.

Sendo, também, um sistema de moralidade velado por alegorias e ilustrado por símbolos, a Maçonaria permite que os homens modernos se desconectem das questões triviais e possam se pôr a refletir sobre questões mais profundas, tornando homens bons, melhores.

A verdade é que as lições da Maçonaria servem ao homem do século XXI tanto quanto serviram a homem do século XVIII. Deve-se buscar na Maçonaria, primordialmente, o espaço de sociabilidade que permite que homens radicalmente diferentes possam estreitar laços de amizade. A maçonaria serve para reconectar os homens, no nível, através de atividades que não podem ser desenvolvidas individualmente E talvez seja isso o que mais a maçonaria pode oferecer a nós, homens do século XXI: Um meio de deixarmos de sermos náufragos em nossas próprias vidas.

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