“Com que roupa eu vou?”

A Maçonaria é uma organização que possui suas leis escritas e não escritas. As chamadas “leis não escritas” são aquelas oriundas dos usos e costumes. Albert Mackey, um dos mais célebres autores maçônicos americanos de todos os tempos, desdobra a legislação maçônica em três: os Landmarks, os Regulamentos Gerais e os Regulamentos Locais.[1] Os Landmarks, para ele, constituiriam nos costumes – a lei não escrita – costumes esses que, para serem assim reconhecidos, devem existir sem oposição desde tempos imemoriais.

Mas existem outros costumes cuja defesa custa bastante energia aos irmãos. Abordarei hoje um deles: o da vestimenta.

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Cena da esquete “Como identificar um Franco-Maçom”, do grupo de humor Monty Python

Nós sabemos que o distintivo do maçom é o seu avental. É um ponto pacífico, presente em todos os rituais da maçonaria simbólica que eu conheço. A vestimenta a que me refiro não é, pois, o avental, mas o binômio terno alvinegro / balandrau.

Se você perguntar a qualquer maçom mediano o porquê dessas roupas ele provavelmente responderá à moda de Chicó, personagem de Suassuna: “Não sei… só sei que é assim”. Ou então dará alguma explicação esquisotérica a respeito da dualidade do alvinegro, etc., mas sempre com a convicção de que o uso de terno ou balandrau é uma universalidade auto-evidente.

Mas não é essa a realidade. O uso de terno alvinegro não é uma obrigatoriedade universal, e não vejo razão de ser assim encarado. Explico minha posição.

A moda maçônica, por assim dizer, nada mais é do que um reflexo da moda masculina do momento. A moda está em constante mudança[2]. No século XVIII, por exemplo, os trajes formais dos homens eram variedades de jaquetas, jaquetões, calças e lenços. Ao longo do século XIX essas vestimentas foram evoluindo para paletós, casacas, sobrecasacas até chegar na forma atual

Aparentemente esses maçons do Século XVIII não receberam o memorando avisando da roupa alvinegra
Aparentemente esses maçons do Século XVIII não receberam o memorando avisando da roupa alvinegra.

O perfil do maçom brasileiro, historicamente, é o de homem de classe média ou alta, com uma boa proporção de profissionais liberais. Essas classes tradicionalmente sempre usaram essas variações das roupas formais nas reuniões pois eram as roupas que se esperavam de um homem sério no trato social.

Ocorre que os tempos mudaram, e o conceito de “roupa séria” ou “roupa de trabalho” se expandiu, abarcando mesmo calças jeans e camisas pólo ou de manga curta. Se em 1950 um homem não estava adequadamente vestido nem para ir num banco ou no médico usando camisa polo e calça jeans, não se pode dizer o mesmo hoje.

Vivemos em uma realidade consideravelmente mais agitada do que a dos nossos irmãos de trinta anos atrás. As jornadas de trabalho já frequentemente se estendem além do normal e o trânsito está muito pior. Além disso, o ambiente cultural é cada vez mais refratário a culturas como a maçônica, o que torna a ambientação dos novatos ainda mais difícil.

Neste contexto não é incomum que um irmão se veja desestimulado a atravessar a cidade do trabalho para casa e da casa para a Loja apenas para trocar de roupa, sob pena de ter que usar um balandrau (os quais, sabidamente, só vêm em dois tamanhos: muito grande ou muito pequeno, e tradicionalmente vêm perfumados por uma longa linhagem de catingas acumuladas).

Entendo que a Loja deve ser um lugar confortável para os seus membros. E, não sendo a vestimenta externa um item dos landmarks, e nem um costume imemorial – já que a moda muda constantemente – não vejo sentido em amarrar todas as lojas aos padrões e gostos de alguns.

Claro que há bons argumentos em defesa dos ternos e da uniformidade; Cliff Porter, por exemplo, em “A Traditional Observance Lodge: One mason´s journey to fulfillment” (Colorado Springs: Starr Publishing, 2013) sustenta a utilidade de se criar um uniforme, uma identidade visual de cada loja, que refletisse a importância e a solenidade que o próprio indivíduo dedica à Loja.

Mas ao mesmo tempo Porter não sustenta que deve haver um padrão para todas as lojas, mas sim que cada loja deve buscar o seu padrão.[3]

É neste sentido que me quero fazer entender: não estou atacando a formalidade do terno, mas sim a sua obrigatoriedade para sessões econômicas, imposta de cima para baixo, impedindo que cada Loja possa discutir e decidir o melhor para a sua própria realidade.

Nos Estados Unidos – país que ainda tem a maior maçonaria do mundo mas que apesar disso é visto neste campo com desdém por nós, latinos – cada Loja faz sua regra, salvo melhor juízo. Umas são mais formais, outras são informais. Há Lojas que criaram uma identidade visual adequada à cultura local, como as “Farmer´s Lodges”, em que os membros usam roupas de trabalho no campo; as Lojas Militares, em que os membros usam seus uniformes, e grupos especiais para concessão de graus, como o  Confederado, que usa uniformes militares da época da guerra civil, e o time dos homens da montanha, que usam uniformes dos montanheses do século XIX (ambos sob a jurisdição da Grande Loja do Mississipi).

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Não é possível mais se prender ao acessório e não ao principal. No passado havia quem reprovasse maçons barbudos e cabeludos que “andassem com calças apertadas com passos de gazela”. Até recentemente não se viam maçons tatuados ou com brincos.

Trecho do Livro "Recortes Maçônicos", de Oswaldo Bernardes de Souza, c. 1970. O autor pediu o quit-placet de sua Loja por conta de barbudos e cabeludos serem iniciados.
Trecho do Livro “Recortes Maçônicos”, de Oswaldo Bernardes de Souza, c. 1970. O autor pediu o quit-placet de sua Loja por conta de barbudos e cabeludos serem iniciados.

Quando reconhecermos que são apenas modas, e que o importante é o homem, não a vestimenta, possamos talvez agir com o pragmatismo do Sherlock Holmes de Jô Soares em “O Xangô de Baker Street”:

 

– Não lhe dê crédito, senhor Holmes, são exageros de amigo. Que tipo de roupa gostaria? Tenho aqui as mais lindas flanelas e casimiras da sua terra. O que prefere?

Holmes respondeu enquanto alisava os panos sugeridos:

– Nem uma coisa nem outra. Gostaria que o senhor me fizesse quatro ternos de linho branco.

– Linho? – espantaram-se Guimarães e o alfaiate. – Mas ninguém que seja de qualidade usa disso por aqui – argumentou Calif.

– É coisa para o zé-povinho – completou Guimarães Passos.

– Pois inaugurarei a moda – afirmou, teimosamente, o inglês.

– Que seja linho, então – disse Salomão pegando a fita métrica e aproximando-se de Holmes em frente ao espelho.

– E branco, não se esqueça. Não entendo como vocês não usam roupas mais leves, adequadas ao calor dos trópicos

.´.

[1] Masonic Jurisprudence, p. 14

[2] A título de exemplo, o Ritual de Aprendiz do Rito Escocês publicado pela Grande Loja da Bahia em 1947 previa que em sessões magnas o traje de rigor seria o preto com luvas brancas, enquanto nas estações quente o terno poderia ser….branco!

[3] Porter vai além e desaconselha mesmo o uso de pins e joias que não sejam as dos postos oficiais, para que a atenção não se desvie do trabalho para o indivíduo, no que inclusive tendo a concordar.

PS.: descobri depois que usei a expressão “terno” de forma inadequada. Entendam como o conjunto mínimo paletó – calça – gravata – sapatos & meias pretos e camisa branca.

QUE TAL CONSTRUIRMOS PONTES NA MAÇONARIA (SÓ PARA VARIAR) OU: COMO NASCEM OS CISMAS MAÇÔNICOS?

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Cultivai o amor fraterno, pedra angular e de cumeeira, cimento e glória desta antiga Fraternidade, evitando assim o rancor, a intriga, a maledicência, as rixas, não permitindo a difamação contra um irmão honesto, mas defendendo seu caráter e prestando seus bons ofícios” – Thomas Smith Webb, Ilustrações

 

Se existe algo tão antigo como a Maçonaria são as crises que precipitam mudanças radicais. O próprio surgimento da Grande Loja de Londres em 1717 (ou 1721, conforme recentíssimos desenvolvimentos historiográficos. Confira aqui, aqui e aqui) decorre – aparentemente – de um movimento de insatisfação com a gestão do último Grão Mestre operativo, Christopher Wren. As crises estão aí desde o início: geraram Potências, Ritos, Lojas…
Pois bem. Faço parte de ao menos uma dezena de grupos maçônicos de Whatsapp. Para falar a verdade todos, menos o da minha Loja, o dos meus contemporâneos de DeMolay/Filhas de Jó e da minha família ficam permanentemente no modo silencioso. Mas os grupos estão lá, funcionando 24/7, e esporadicamente eu leio um deles, posto alguma coisa em outro, etc.
Quando olho esses grupos, em especial os mais inespecíficos, me deparo com as seguintes situações:
a. Os infames “bom dia”
b. Calendários de efemérides maçônicas e transcrições do Breviário de Rizzardo da Camino
c. Correntes de alertas duvidosos
d. Correntes religiosas
e. Tretas.
As tretas, por seu turno, costumam ser originadas de
I. Discussões políticas e religiosas, bastante comuns entre os tiozões do caps lock
II. Indiretas reais, oriundas de tretas externas na Loja ou na potência
III. Pseudo indiretas, quando alguém interpreta (erroneamente) uma afirmação como indireta e veste a carapuça inadvertidamente
IV. Diretas, que têm por objetivo criar, semear ou fortalecer tretas.
Muitas se aprofundam por dificuldades de leitura e escrita: Tons de sarcasmo, ênfase, ironia, agressividade, passividade por vezes não são devidamente compreendidos , usados ou aceitos.
Quase na sequência das tretas vêm as comentários de lamentações: “Vaidade!”, “Lamentável!”, “Isso é Maçonaria?”.
Sim, é. As brigas são um dado da realidade. Só que, como bem afirmou Nosso Senhor: “Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa! (Mt 18:7).
Neste pequeno trabalho pretendo lançar uma hipótese sobre como algumas crises surgem, a partir das minhas observações, e lançar uma proposta de como os maçons devem reagir a elas.
A. O DESPOTISMO ESCLARECIDO COMO FERMENTO DAS CRISES
Em uma certa ocasião uma discussão em um grupo se iniciou a partir de um comentário sobre um determinado problema de intervisitação entre potências. Um dos irmãos disse que o ideal seria que não houvessem tantas potências, mas sim uma unificação geral das potências sob uma só (não por acaso, a dele). Resolvi ponderar que as concepções de Maçonaria às vezes são tão radicalmente diferentes que não é possível a convivência administrativa destas correntes. Explico.
Na história administrativa da Maçonaria podemos identificar, grosso modo, duas concepções radicalmente diferentes de gestão maçônica nacional: Uma concepção centralista e outra, descentralizada.
Faço observar, entretanto, que a diferença de ambas é de grau, pois observo que toda potência maçônica tende à centralização de poder na figura do Grão Mestre. Isto se deve, primordialmente, aos deveres de obediência prestados pelos Maçons às suas respectivas potências, nas pessoas dos seus Grãos Mestres, que não raro redundam num temor reverencial pelos Grãos Mestres.
Por exemplo. Recentemente uma potência maçônica puniu de maneira drástica alguns irmãos pelo delito maçônico de criticar abertamente seu Grão Mestre. Na esteira desta crise uma verdadeira caça às bruxas se instalou contra qualquer forma percebida de dissidência, inclusive em corpos distintos da alçada da Maçonaria Simbólica, como ordens paramaçônicas e altos graus de ritos. É claro que quem está atento aos grandes debates contemporâneos sabe que estou me referindo à crise na Grande Loja do Arkansas, nos Estados Unidos (né?).
É um lugar comum na ciência política que toda concentração de poder acaba levando ao seu abuso. Isso vale da Loja à Potência. Ocorre que há quem veja na figura do Grão Mestre o papel de um Déspota Esclarecido, ou seja, um monarca com poderes quase totais mas dotado de boas intenções e da razão iluminada. E há quem entenda o contrário, que o Grão Mestre nada mais é do um mestre maçom eleito pelos seus pares para gerir temporariamente a potência, e que portanto não pode ter mais poderes do que a Assembleia que o elegeu.
Estas duas visões são inconciliáveis, do ponto de vista administrativo, e são uma razão mais que suficiente para a existência de uma multiplicidade de potências.
Devemos observar que a exortação à obediência vem desde as Old Charges. Mas nem James Anderson, nas suas Constituições ignorava que a obediência não é devida ipso facto do posto, mas dependia de o Grão Mestre manter sua legitimidade natural ante os maçons, como veremos:

 

XIX. Se o Grão Mestre vier a abusar do seu poder ou se revelar indigno da obediência e sujeição das Lojas, deve-se lidar com ele com base em novos regulamentos acordados, pois até hoje nossa antiga Fraternidade não tem precedentes disso, já que todos seus antigos Grão Mestres se comportaram de modo condigno ao seu posto

 

Muitos dirigentes – sejam Grão Mestres ou Veneráveis Mestres – apresentam uma dificuldade, pois, de compreender que a obediência e a reverência não são consequências naturais do posto, mas da conduta. E, desta maneira, enxergam em qualquer dissidência ou crítica pública um verdadeiro crime de lesa majestade a ser expurgado, ignorando por vezes a necessidade de “julgar cada violação às nossas normas com candor, advertir fraternalmente e repreender com justiça.” (Webb, op cit).
Ocorre que, se nos reportarmos a John Locke, filósofo bastante em voga nos tempos de Anderson, veremos que o objetivo do Governo é o bem dos homens. “E o que é melhor para eles? Ficar entregues à vontade desenfreada da tirania ou os governantes por vezes sofrerem oposição, quando exorbitem no uso do poder(…)?”. Governo é confiança da parte de quem o elegeu, e esta confiança pode e deve ser retirada caso o governo não corresponda à confiança em si depositada e invada a propriedade de seus súditos ou tente fazer “de si mesmo ou de seus apaniguados senhores da vida, liberdade ou riqueza do povo”(in Segundo Tratado sobre o Governo. São Paulo: Martin Claret, 2003, p. 148).
Agindo diligentemente para silenciar as dissidências públicas os governos dos déspotas esclarecidos pensam que estão debelando crises. Crise! Na sua origem etimológica indo-europeia, skribh, que significa separar, cortar, distinguir, julgar (cf. DIP, Ricardo. Direito Penal: Linguagem e Crise. São Paulo: Millenium, 2001). E assim as crises se fermentam: numa dissociação cada vez maior entre as pessoas que se aprofunda até o ponto de ruptura.
B. A PRUDÊNCIA COMO MECANISMO DE DESARME DAS CRISES
O filósofo francês René Girard desenvolveu dois conceitos interessantes que podem nos ajudar a desenvolver uma teoria de como debelar as crises maçônicas. O de desejo mimético e rivalidade mimética.
Correndo o risco de imprecisão tentarei conceituar e contextualizar as duas ideias (para mais detalhes, sugiro a leitura de A violência e o Sagrado. São Paulo: Paz e Terra, 1992) . Os nossos desejos derivam dos desejos de outros pelo que elejo como modelo. Desta maneira, os atores de uma crise podem todos, ao menos da boca para fora, invocar as mais altas razões para suas condutas: a preservação dos melhores interesses da sociedade maçônica. E justamente aí surge o problema: os desejos diferentes convergem sobre o mesmo objeto, e não é (sempre) possível conciliá-los. Surge aí a rivalidade, e com ela, em uma espiral, as crises que se sucedem.
Eis um exemplo estritamente hipotético desta espiral de crises. Dois irmãos disputam o posto de Venerável Mestre. Somente um, entretanto, pode ser instalado por vez. O derrotado passa a criticar as ações do vencedor, que por sua vez enxerga aí um obstáculo para a concretização de seu plano de governo. Na primeira oportunidade ele usará do seu poder para punir o irmão dissidente, precipitando uma debandada de membros, ou outra ação retaliatória em outra esfera, que por sua vez demandará outras retaliações.
O que eu venho a propor não se destina primordialmente aos atores da crise, mas aos seus espectadores.
Um dos pontos, por vezes negligenciados nos estudos maçônicos, é a ponderação sobre as virtudes cardeais. Delas pinçamos a prudência como chave para esta proposta.
Thomas Smith Webb, em seu Monitor, nos fala da prudência:

“A prudência nos ensina a regular as nossas ações e nossas vidas aos ditames da razão, ou seja, ao hábito constante a partir do qual julgamos com sabedoria e determinamos os justos meios relativos ao bem nas situações presentes ou futuras. Esta virtude deve ser característica peculiar de cada maçom, não apenas no governo da sua conduta na Loja, mas também no mundo afora”.

 

A prudência, diz C. S. Lewis em Cristianismo Puro e Simples, “significa a sabedoria prática, parar para pensar nos nossos atos e em suas consequências”. O catecismo católico lembra, sobre a prudência, que ela é a virtude “que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo.”. É precisamente a isso que se refere a Ordem DeMolay quando exorta os irmãos a garantirem o benefício da dúvida: Sem saber com precisão o que aconteceu e o que pode acontecer convém agir com parcimônia.

 

É preciso também vigiar nossas próprias palavras. As discussões e dissensões não devem ser proibidas, mas exercitadas com base na retórica, ou seja, “não apenas com propriedade mas também com a ênfase e a elegância necessárias para cativar o ouvinte pela força do argumento e a beleza da expressão, seja para entretê-lo ou exortá-lo, repreendê-lo ou exaltá-lo” (Webb, op cit)
Os espectadores têm um papel fundamental no desenvolvimento de uma crise. Ao aceitarem um dos lados, eles se tornam atores, pois replicarão em suas esferas o conflito, e incentivarão, pela adulação, os atores principais a continuarem a contenda.
Minha proposta é simples: Todos os homens por acaso não têm direito aos nossos bons ofícios? Esta fórmula, presente em muitos rituais, muitas vezes passa batida. A ideia de bons ofícios foi quase esquecida. A doutrina do direito internacional define os bons ofícios como sendo meios diplomáticos e facultativos de resolução de conflitos que não se preocupam com as normas preexistentes, mas em criar, construir, uma solução pacífica, justa e honrosa o suficiente para ser aceita pelas partes, através de uma terceira parte não envolvida que se voluntaria para essa função.
Exemplos práticos: Em um conflito entre dois irmãos um terceiro, da confiança de ambos, pode se voluntariar para tentar pacificar ambos. Em um conflito entre duas lojas uma terceira loja pode exercer este papel; Entre duas potências, uma terceira potência, e assim sucessivamente.
Isto é diferente de abafar um conflito ou de jogar as tensões para debaixo do tapete. Os bons ofícios oferecem uma proposta de resolução minimamente agradável a ambos. Mas para poder oferecer seus bons ofícios é necessário, antes, que o terceiro não se envolva e evite expressar publicamente qualquer juízo de valor sobre o conflito.
C. CONCLUSÃO
Podemos usar uma analogia com as construções de arcos usados nas pontes. Nos arcos as tensões entre as peças conduzem ao colapso da estrutura se não houver uma peça central, uma pedra-chave, maior que as demais (e resistir à tentação de entrar em certas tretas é uma tarefa hercúlea) capaz de transmitir lateralmente as tensões.
A prudência é esta nossa pedra-chave, neste contexto. Sem ela a estrutura desmorona pela ação implacável das tensões. Os contendores agem como construtores que rejeitam a pedra-chave por não ver utilidade nela e por crerem que o edifício se sustenta apenas em pedras idênticas. O agir prudente, assim, tanto pode servir como estímulo para evitar o surgimento de tensões ou, se não, pode ajudar a reparar a estrutura. Basta que haja um mínimo de boa vontade, torcida a favor e disposição de alguém para demonstrar a utilidade daquela pedra para restaurar a ordem no canteiro e reconstruir a ponte que ligue ambas as partes.

Mas, claro, sem boa vontade dos contendores não há o se fazer senão reconhecer a justeza dos versos de Gregório de Mattos:

O prudente varão há de ser mudo,

Que é melhor neste mundo, mar de enganos,

Ser louco c’os demais, que só, sisudo.

11 de Setembro: A virtude cardeal da Fortaleza

Hoje é o dia 11 de Setembro. Um dia que, todos sabemos, vive na infâmia da história mundial. O dia em que terroristas da al-Qaeda, um grupo terrorista islâmico de orientação sunita, sequestraram 4 aviões civis para atacar o coração dos Estados Unidos. Três aviões atingiram seus alvos: O World Trade Center, em Nova Iorque, e o Pentágono, em Washington. O quarto nunca atingiu seu alvo, graças à coragem dos passageiros que, desarmados, enfrentaram os terroristas (que acabaram derrubando o avião numa zona rural desabitada).

Muito já se falou e escreveu sobre o onze de setembro. Mas, sendo uma data que não deve ser esquecida, mais e mais se deve falar.

Pretendemos, hoje, usar a história de um dos heróis daquele dia para personificar uma das quatro virtudes cardeais, a fortaleza. A escolha de um herói é difícil: Os atos de heroísmo foram inúmeros naquele dia. Um dos personagens que mais nos chamou a atenção foi o de Rick Rescorla, um veterano da Guerra do Vietnã, chefe de segurança da corretora Morgan Stanley, que conseguiu evacuar quase todos os trabalhadores da empresa, localizada em uma das torres do WTC, e que morreu enquanto verificava que ninguém havia ficado para trás.

Mas escolhemos o heroísmo dos bombeiros. 411 profissionais de emergência (policiais morreram naquele dia. Destes, 343 eram bombeiros. Um deles foi o nosso sobrinho/irmão DeMolay Michael Haub (dois outros DeMolay morreram naquele dia: Jon C. Vandevander, um corretor de seguros que trabalhava no 92o andar da torre 1World Trade Center, e Edward Earheart, um marinheiro que trabalhava no Pentágono)

michael-haub2Michael Haub, em foto oficial

Haub nasceu em 13 de junho de 1967, em Nova Iorque. Foi Mestre Conselheiro do Capítulo Nassau da Ordem DeMolay. Era casado e tinha dois filhos.  Era bombeiro desde 1988, e ingressou no Corpo de Bombeiros da cidade de Nova Iorque em 1999.

Como to050909fdnywtc-xdos os bombeiros que naquele dia se apresentaram para o dever o irmão Haub sabia que a missão era perigosíssima, e que havia uma grande possibilidade de não voltar com vida. Não obstante, os bombeiros não vacilaram: entraram nos prédios em chamas e subiram as escadarias, prestando socorro aos feridos e desorientados, ajudando a evacuar um enorme número de pessoas enquanto progrediam para os andares superiores, onde centenas de pessoas estavam cercadas pelo fogo. Foram a própria personificação da virtude cardeal da fortaleza, sobre a qual toda pessoa, e todo maçom em particular, deve refletir.

Thomas Smith Webb, ritualista americano e considerado um dos “pais” do Rito de York assim escreve sobre a virtude da Fortaleza no seu “Monitor dos Franco Maçons”:

É esta constante e firme disposição da mente pela qual nos sujeitamos a enfrentar a dor, riscos e perigos quando bons propósitos o digam. Esta virtude é equidistante entre a temeridade e a covardia. Tal como a anterior, deve estar bem gravada na mente de cada maçom, como salvaguarda contra qualquer ataque injusto.

Não que a virtude da fortaleza exclua o medo. Ao contrário. O medo e a coragem se apresentam numa proporção equilibrada. A virtude da fortaleza pode ser assim explicada:

Lembrando a frase de Eric Voegelin: ‘Toda vida humana está integrada em uma hierarquia de bens’. Isto é básico. Hierarquia de bens: este bem que eu desejo não é tão valioso quanto aquele outro. Por exemplo, a vida moral começa no instante em que o bebê tem de escolher entre a posse de um objeto desejado e a amizade com o irmãozinho, não dá para ter as duas coisas ao mesmo tempo. Sempre se tem de fazer uma escolha, e nessa escolha entra uma hierarquia de bens. Nós estamos fazendo essas escolhas o tempo todo e quando fazemos a escolha errada, em geral, é porque não nos lembramos que existe uma hierarquia, que existe o mais importante e o menos importante; [que existe] a perspectiva da vida eterna ou a limitação da vida a este espaço terrestre. Como seres biológicos, nossa tendência é defender, em primeiro lugar, nossa subsistência biológica — é instintivo. E é um valor, sem dúvida. Você continuar vivo é um valor. Por que você e não o outro? Por exemplo: há um incêndio, você vai salvar a si mesmo e deixar seu filho queimando lá dentro ou vai salvar seu filho com o risco da sua própria vida? Você terá de fazer uma escolha. O problema da coragem, no fim das contas, é apenas uma questão de [escolher] qual é o bem que você preza mais. Se você descobre bens maiores, no fim das contas a sua própria vida não tem mais importância; o importante não é conservar a vida, mas gastá-la e se preciso perdê-la em função de um bem maior, de um bem que merece ser mais amado. É só este o problema, ou seja, a covardia é uma falta de amor ao próximo, em primeiro lugar, e de amor a Deus, em segundo lugar [que morreu na cruz por nós]. [A coragem] não é uma virtude que tem em si a sua própria substância, ela deriva de uma outra coisa, ela deriva da noção do bem maior”. (CARVALHO, Olavo de. Curso Online de Filosofia, aula de 13/02/2016). Transcrição de Carla Farinazzi.

C.S. Lewis, o grande escritor autor de “As Crônicas de Nárnia” nos lembra no seu livro “Cristianismo Puro e Simples” que sem a Fortaleza “não se consegue colocar em prática nenhuma das outras virtudes por muito tempo”.

Que o sacrifício dos homens e mulheres que morreram no 11/09 para que outros pudessem viver nos sirva de espelho e lembrete de que a qualquer momento, da forma mais inesperada, podemos ser testados nesta virtude. Como naquela bela manhã de sol sem nuvens, no dia  de setembro de 2001.

A Maçonaria e o abismo geracional: uma proposta de discussão

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Edgard da Costa Freitas Neto

Um espectro ronda a Maçonaria. O espectro do abismo geracional.

Mas o que é o abismo geracional? Grosso modo, seria a distância nas diferenças de opinião entre uma geração e outra no que tange às crenças, à atitude política e valores[1]. Na Maçonaria ela é perceptível – apesar da ausência de trabalhos no Brasil que aprofundem esta questão – nas diferenças de visão entre os maçons mais jovens e os maçons mais velhos.

Crises decorrentes de diferenças de visão de mundo não são exatamente de uma novidade. A maçonaria especulativa moderna, à beira do seu tricentenário, já passou por outros conflitos ideológicos fortes, como, por exemplo, o conflito entre os Moderns e os Antients na maçonaria inglesa na segunda metade do século XVIII, entre os racionalistas e os místicos também no século XVIII, entre teístas e ateus no século XIX, entre revolucionários e conservadores em vários períodos históricos.

Haveria, então, uma diferença entre aquelas crises e a atual?

Os primeiros a chamar a atenção para essa questão (para variar) foram nossos irmãos do Norte. A Maçonaria norte americana se viu entre dois extremos do fim da Segunda Guerra Mundial à virada do Milênio. A greatest generation, que cresceu sob a depressão econômica e venceu os nazistas afluiu em massa para espaços de sociabilidade como a Maçonaria. Os seus filhos – os Baby Boomers – entretanto, não demonstraram nenhum interesse para tal, preferindo a via da contestação do que viam como “velhos valores”

Jay Kinney, em sua obra “O Mito Maçônico” (Record, 2010), destaca o que considera os obstáculos mais óbvios:

– O declínio das famílias nucleares;

– O desaparecimento gradual das esferas sociais separadas para homens e mulheres;

– O aumento na exigência de horas de trabalho;

– A perda da influência da religião organizada;

– A informalização da sociedade;

– A balcanização dos grupos de idade (pp. 327-328)

Colocando em bom português: Hoje as pessoas têm menos tempo livre, menos referências intrafamiliares ou sociais e menos disposição para atividades formais, preferindo ficar em casa assistindo TV ou jogando Pokemon Go.

O desafio que existe nos EUA é, também, perceptível aqui.

A última década um aumento considerável – falo sem conhecimento de estatísticas, partindo apenas da minha vivência – do ingresso de jovens na Maçonaria. Esta geração, nascida no fim dos anos 70 e no início dos anos 80 (Geração X) parece ser em boa medida formada por jovens que viveram na Ordem DeMolay nos anos 90 e 2000. Só que essa geração é uma de transição. Conviveu com as tecnologias analógicas e digitais. Com a Enciclopédia Barsa e com a Wikipedia. O desafio, agora, consiste em preparar a Maçonaria para a chegada de uma nova geração, aquela nascida nos anos 90 e 2000 (geração Y), já sob o signo da sociedade da informação.

Vejam como reside o problema. A Maçonaria pode ser percebida como um sistema de moralidade, velado por símbolos e ilustrado por alegorias. Ocorre que o debate que esta geração, propõe ocorre em outros termos. Enquanto as lições da Maçonaria giram em torno de Virtudes Teologais (Fé, Esperança, Caridade) e Virtudes Cardeais (Temperança, Fortitude, Prudência e Justiça), da boca da geração Y saem palavras que denotam outra linguagem moral: homofobia, machismo, gordofobia, preconceito, consciência social, politicamente correto [e incorreto].

Enquanto aquelas estão cada vez mais escamoteadas do debate público (a não ser quando ligadas às novas), essas ocupam espaço, adquirem significado (ainda que camaleônico), possuem valor e força compulsória.

Quando este dois sistemas de linguagem se encontram instaura-se um legítimo diálogo de surdos, e o conflito é inevitável. E os primeiros campos de batalha serão, provavelmente, as Ordens Paramaçônicas Juvenis (Ordem DeMolay e Ordem das Filhas de Jó), justamente as fontes de renovação da vida maçônica da última década.

E este campo de batalha, o do debate público, é precisamente aquele para o qual a Maçonaria deixou de se preparar.

E o saldo pode ser bastante negativo, já que a Geração Y vem adquirindo uma expertise cada vez maior no linchamento virtual coletivo[2].

“Ora, mas quem se importa se esses meninos mimados xingam muito no Twitter?”. Bem, nós deveríamos, se pretendemos que a Maçonaria sobreviva a nós (senão podemos começar a encomendar um novo lema: “Après nous le déluge”).

É preciso romper, antes, com dois preconceitos.

O primeiro é o preconceito contra a juventude, de achar que a nova geração é sempre um lixo em comparação com um passado idealizado. Desde os tempos de Sócrates[3] a geração mais antiga é pessimista com a geração mais nova.

O segundo é o preconceito contra a velhice, de achar que a juventude é “a época da rebeldia, da independência e do amor à liberdade”, e que, portanto, devemos confiar o futuro ao discernimento dos jovens como observou, mordazmente, o filósofo Olavo de Carvalho[4].

É bem verdade o que escreveu o filósofo José Ortega Y Gasset:

“O fato da rebelião [das massas] apresenta um aspecto ótimo; já o dissemos: a rebelião das massas é a mesma coisa que o crescimento fabuloso que a vida humana experimentou no nosso tempo. Mas o reverso do mesmo fenômeno é tremendo: vista deste ângulo, a rebelião das massas é a mesma coisa que a desmoralização radical da humanidade”[5]

Não é, portanto, uma tarefa fácil. É o trabalho de construir pontes entre as gerações. Só que as pontes são sempre vias de mão dupla, de forma que, se as coisas boas passam de um lado para o outro, o lixo também pode passar, em ambos os sentidos.

As Ordens Paramaçônicas serão vitais nesta nova realidade. Nelas os Maçons poderão aprender a linguagem dos jovens, para poder melhor transmitir o seu legado para a construção de um futuro e a defesa dos valores perenes sustentandos na Ordem.

Isso não acontecerá, todavia, enquanto os maçons permanecerem imersos num mundo paralelo, desconectado do mundo real e recheado de mistificações autocongratulatórias com o seu passado, ressentimento com o presente e pessimismo com o futuro.

PS.: Sugerimos a leitura dos artigos “The Millennial Generation and Freemasonry” (aqui a Parte 1 e a Parte 2) e “Millennial masonry: How those in their twenties and thirties are changing the Craft

[1] https://en.wikipedia.org/wiki/Generation_gap

[2] Cf. JONSON, Ron. Humilhado. Como a era da Internet mudou o julgamento público. São Paulo: Bestseller, 2015

[3] http://blogs.oglobo.globo.com/luciana-froes/post/conflito-de-geracoes-496043.html

[4] http://www.olavodecarvalho.org/textos/juvenil.htm

[5] ORTEGA y GASSET, José. A Rebelião das Massas. Rio de Janeiro: Bibliex, 2006, p. 147

Pokemon Go denunciado como “Maçônico” na Arábia Saudita

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Às vésperas do lançamento do aplicativo de celular “Pokemon Go” no Brasil vai a notícia: Clérigos muçulmanos da Arábia Saudita renovaram uma fatwa de 2001 que proíbe os muçulmanos de correrem atrás de Pikachu, Charmander ou Charizard.

Diz a Fox News:

Notícias vindas da imprensa árabe dão conta de que na quarta feira o Sheikh Saleh Al-Fozan, membro do ultraconservador conselho de clérigos do Reino saudita, afirmou que a nova versão do jogo é a mesma coisa que anterior.

O edito afirma que a estrela de seis pontas no jogo, por exemplo, é associada ao estado de Israel e que certos símbolos triangulares têm sifgnificação maçônica. Cruzes no jogo são símbolos do Cristianismo, enquanto outros símbolos são associados ao politeísmo.

ENQUANTO ISSO, nos Estados Unidos, algumas Grandes Lojas e Lojas entraram no jogo.

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Crise racial faz vítimas na família maçônica americana

A questão racial americana, que volta e meia ganha os noticiários, atingiu agora diretamente a família maçônica.

Em 06 de julho Philando Castile, um homem negro de 32 anos, foi parado pela polícia enquanto conduzia o seu carro por conta de uma pequena infração de trânsito. Ao ser abordado, informou que estava armado – ele possuía porte legal de arma de fogo – sendo baleado em ato contínuo pelo policial. Sua noiva conseguiu filmar e transmitir ao vivo pelo facebook a agonia de Philando e o nervosismo do policial.

No dia 07 de julho,  em Dallas, Texas, ao término de um protesto pacífico do movimento Black Lives Matter contra a morte de Philando e a impunidade geral percebida quando policiais matam negros nos EUA, um militante racista negro, Micah Johnson, abriu fogo contra doze policiais brancos, matando cinco deles e ferindo nove antes de ser morto.

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Philando era sobrinho de Clarence Castile, Delegado Distrital da Grande Loja de Minnesota (Prince Hall). Seu tio, em entrevista à CNN na manhã do dia 07, fez um pedido maçônico de socorro em prol de justiça e união.

Dentre as vítimas do tiroteio em Dallas estava o policial Brent Thompson, 43. Brent era Sênior DeMolay e Mestre Maçom da Loja Corsicana nº 174, Grande Loja do Texas. Era pai de 6 filhos, alguns deles membros da Ordem DeMolay

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O racismo ainda é uma questão sensível nos EUA. Periodicamente jovens negros acabam baleados e mortos em interações desastrosas com policiais (na maior parte das vezes, brancos), normalmente iniciadas em questões menores como, no caso de Philando, um farol queimado, redundando quase sempre na impunidade do perpetrador, absolvidos por júris condescendentes com a violência policial.

De outro lado, uma retórica cada vez mais virulenta que, sob o disfarce de anti-racismo, encontrou em Micah Johnson sua forma mais paroxística.

A divisão racial também atinge a Maçonaria nos EUA. Historicamente as  Lojas Prince Hall – regulares na origem e na prática, e reconhecidas internacionalmente – emergiram como centros agregadores dos negros excluídos na Maçonaria dita mainstream. Só muito recentemente as Lojas Prince Hall e as Lojas tradicionais começaram a se reconhecer mutuamente e, internamente, a derrubarem as fronteiras de raça que impediam, por exemplo, um branco de se iniciar numa Loja Prince Hall e um negro de iniciar numa Loja mainstream.

Mas ainda há resquícios. Em 10 Grandes Lojas,  todas de Estados que fizeram parte da Confederação durante a Guerra Civil esta ridícula segregação maçônica permanece. Em 2009, por exemplo, a Grande Loja da Geórgia tentou punir uma loja que iniciou um candidato negro. Em 2012, se relatou que uma Loja jurisdicionada à Grande Loja da Flórida (mainstream) simplesmente cancelou a sessão agendada quando recebeu a visita de um maçom negro oriundo da Grande Loja de Nova Iorque (também mainstream).

O apelo fraternal do Irmão Clarence não é por vingança, é por justiça. Somente a justiça pode quebrar os ciclos de vingança e permitir que os irmãos vivam em união. Possam as tragédias de Philando e Brent permitir que os maçons americanos sejam mais rápidos em demolir esse muro torto e desnivelado que existe na Fraternidade lá e tomarem a iniciativa de refrear o discurso de ódio e de separação.

Um trecho de “History of England”, de David Hume

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“MAS o método mais eficaz empregado por Alfred para incentivar o aprendizado era seu próprio exemplo e a constante assiduidade com que, não obstante a multiplicidade e a urgência de seus deveres, se dedicava à busca pelo conhecimento. Ele dividia o seu tempo em três partes iguais: uma era dedicada ao sono, à alimentação e aos exercícios; Outra, nos seus afazeres ordinários; A terceira parte, nos estudos e na devoção. E para controlar precisamente as horas, ele usava velas de igual duração, postas em lanternas, um expediente adequado àquelas priscas eras, quando a geometria dos discos e o mecanismo dos relógios eram totalmente desconhecidos. E nesta divisão de tempo, mesmo convalescendo, este heroi – que combateu pessoalmente em cinquenta e seis batalhas em terra e mar – pôde, durante uma vida de duração normal, adquirir mais conhecimento, e mesmo escrever mais livros que muitos estudiosos abençoados com tempo livre para fazer do estudo o seu objeto ininterrupto de labor.”

HUME, David. History of England. vol I. Tradução livre por Edgard Freitas

NOTA: A “História da Inglaterra” de Hume foi lançada em 6 volumes entre os anos de 1754 e 1762, antecedendo, portanto, as “Ilustrações” de William Preston e de Thomas Smith Webb. Ainda que não trate diretamente sobre a Maçonaria, a leitura deste pequeno trecho é obviamente interessante para os maçons mais atentos às lições do grau de Aprendiz.

O livro de Hume ganhou uma tradução para o português apenas em 2015 pela Ed. Unesp, mas infelizmente numa edição condensada, que não traz o presente trecho.

Vazamento de dados maçônicos sacode a Maçonaria francesa

A notícia é de Abril, mas somente agora tomamos conhecimento dela. Hackers invadiram os sistemas da Grande Loge de France (GLdF) e divulgaram mais de 6 mil documentos online a partir de um site sediado nos Estados Unidos. A GLdF é a terceira maior obediência maçônica francesa, atrás do Grande Orient de France e da Grande Loge Nationale Française, mas não é reconhecida, até onde sabemos, por nenhuma das potências regulares brasileiras.

Segundo as notícias foram vazados majoritariamente documentos inócuos – como correspondências internas, publicações – mas também há informações sensíveis, como relatórios contábeis, processos judiciais, fichas de membros com dados pessoais.

Posteriormente iremos analisar o conteúdo vazado – quase 6 Gigabytes – e traçar maiores comentários.

Fonte:

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A que horas começa?

O imaginário popular relaciona o estudo de Economia com finanças. Não sou da área e nem estou a par de detalhes das grandes teoria econômicas vigentes, mas sempre acreditei que na verdade economia é apenas um sinônimo para relações humanas. Durante minhas aulas de Economia no primeiro semestre do curso de Direito, a única coisa que ainda lembro até hoje é o que se chama “Lei dos recursos Escassos” que em resumo diz que todos os recursos são escassos. Que por maior que seja a cifra, nunca haverá recurso suficiente para se fazer tudo que se quer (ou tudo que se possa querer, para ser mais exato)!  Os autores usam 300 páginas para dizer que sempre é preciso fazer escolhas! É preciso usar os recursos de acordo com as prioridades.

Sendo a tomada de decisões, a eleição de prioridades uma Lei das relações humanas, também temos que entender e aceitar que todas as decisões trazem consigo consequências!

Corriqueiramente nos deparamos em uma situação em que temos um recurso escasso: O tempo! Quase todos os irmãos já chegaram e a reunião não tem início porque se resolve aguardar algum retardatário. Daí eu pergunto: Por que homenagear quem está atrasado segurando o início da reunião ao invés de homenagear aqueles que foram pontuais abrindo os trabalhos no horário marcado? Não estou aqui falando de eventualidades, falo da sistemática e repetitiva falta de respeito ao combinado e, por vezes, previsto em estatuto. Quais as consequências dessa escolha de reiteradamente protelar a sessão aguardando quem ainda não chegou?

A primeira desta decisão quando temos que aplicar a Lei da Escolha, pode ser entendida saindo da economia em direção às ciências da Natureza, chama-se Lei da Inércia. Por essa Lei da Física, um corpo tende a ficar parado se estiver parado, em movimento se estiver em movimento a menos que haja um esforço que altere tal situação. Adaptando para nosso assunto, significa que se algo sempre acontece, a tendência é esse algo continuar acontecendo. Quem faz as coisas sempre da mesma maneira tende a obter sempre os mesmos resultado; em bom português, “O costume do cachimbo deixa a boca torta“! Uma loja (ou igreja, escola, teatro…) que sempre atrase o início das suas atividades vai levar seus frequentadores a considerar esse atraso como algo normal.

Falta de respeito, falta de educação nunca pode ser algo normal!

Vamos ao outro lado da moeda. Vamos a outra opção! Aquele irmão mais empolgado (toda loja tem) chegou bem cedo, arrumou toda a sala e conferiu por diversas vezes; Aos poucos os demais dão o ar da graça e no horário exato a reunião começa, mesmo sabendo que algum irmão pode estar a caminho (Se é que ele vem mesmo). O atrasado poderá entrar normalmente na reunião, obedecendo aos procedimentos do ritual e, principalmente, os membros e visitantes saberão que naquele lugar os horários são cumpridos. Já conheci irmãos que caso cheguem em um lugar e a sessão já tenha tido início preferem ir embora. Nunca concordei muito com os argumentos apresentados mas é uma forma de agir de cada um.

Outra questão a se considerar nos casos de rigidez com o horário é que algum dos retardatários fique aborrecido por não ter sido esperado. Pode acontecer… Mas… Francamente!!!

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Iniciação ao Grau de Mestre de Marca

Um dia você foi convidado a se tornar um maçom. Reconheceram em você uma pedra bruta que, lapidada, comporia a muralha do Grande Templo. Você caminhou por caminhos escabrosos, seguiu a estrela rutilante e, já pronto para receber a grande honraria de fazer parte dos Mestres do Rei Salomão, ah, meu Deus, que desastre! A palavra está perdida!

Sabemos também, por relatos bíblicos, que o Templo do Rei Salomão fora terminado, mas não nos informaram quando ficara pronto nem quando fora consagrado. E os companheiros a quem fora prometido o aumento de salário, o grande Rei cumprira a promessa feita? Tantas dúvidas no ar… A história que nos ensinaram no mais alto grau da maçonaria simbólica parece estar incompleta. Mas onde podemos achar as respostas a tais dúvidas? Simples; ascendendo aos graus do Real Arco.

Mas o que é o Real Arco? A cerimônia do Real Arco foi considerada a mais importante em tempos imemoriais na Maçonaria, o verdadeiro complemento ao grau de Mestre Maçom. Sua importância pode ser verificado no Ato de União, que deu origem à Grande Loja Unida da Inglaterra, no qual se acha registrado: “Masonry consists of three degrees, including the Holy Royal Arch ( A Maçonaria consiste em três graus, incluindo o Sagrado Real Arco)”.

Enquanto na Inglaterra o Sagrado Arco Real é considerado um grau autônomo, assim como o grau de Mestre da Marca, nos Estados Unidos foi criado um sistema valorizando a didática, no qual os graus seriam concedidos em uma determinada sequência que valorizasse o aprendizado. Este sistema ficou conhecido como Rito de York (York Rite), do qual fazem parte os Capítulos do Real Arco, onde trabalham os graus de Mestre de Marca, Past Master, Mui Excelente Mestre e, finalmente, o Maçom do Real Arco.

Na Bahia, os belíssimos rituais do Real Arco podem ser praticados em qualquer um dos quatro capítulos ativos existentes atualmente: Capítulo Primaz da Bahia, em Feira de Santana; Companheirismo Baiano, em Salvador; Arca da Fidelidade, em Vitória da Conquista; e Visconde de Mauá, em Jequié. Além destes, já existem processos de instalação em Camaçari, Itabuna e Santo Estevão, um capítulo adormecido em Luís Eduardo Magalhães e muitas outras cidades anseiam pelo Real Arco.

Se você é Mestre Maçom e está a prumo com a Chancelaria e a Tesouraria de sua loja simbólica, está na hora de conhecer os lindos graus do Real Arco. No próximo dia 14 de maio, em Feira de Santana, o Capítulo Primaz da Bahia de Maçons do Real Arco irá conceder o grau de Mestre de Marca, o primeiro grau capitular do Rito de York. Não importa qual o rito que você pratica em sua loja ou a qual Obediência ela está filiada. Entre em contato agora mesmo com o nosso secretário e tire suas dúvidas.

É possível participar da Cerimônia de iniciação citada, que ocorrerá em feira, mesmo que se deseje ser filiado ao Capítulo de Salvador ou de Vitória da Conquista.

O Rito de York da Bahia espera por você.

Por Leonardo Abreu – MRA

Cerimônia de Adiantamento ao Grau de Mestre de Marca

Dia 14/05/2016, a partir das 14:00h

Capítulo Primaz da Bahia

Av. Presidente Dutra, 1258 – 1º andar – Feira de Santana – BA

Contato:    Cristóvão Amarante – Secretário

tel.: (75) 9 8831-5084