Mulher falando sobre Maçonaria

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A Virtude Cardeal da Temperaça

O York Blog publicará nas próximos quartas-feiras uma sequência de Audiências Públicas dos Papas João Paulo I (1978) e João Paulo II (1978-2005) realizadas em 1978 sobre as três virtudes teologais (pelo Papa João Paulo I) e as quatro virtudes cardinais (pelo Papa João Paulo II). Essas virtudes estão imensamente presentes nos nossos rituais e devem ser tratadas com a devida atenção. Esperamos que os textos, que não são especificamente maçônicos, possam ajudar os maçons a trabalharem e entenderem melhor essas virtudes.

Todos os textos foram retirados diretamente do site do Vaticano já traduzidos para o Português.

 

A VIRTUDE DA TEMPERANÇA

por João Paulo II

22 de novembro de 1978

1. Na sucessão das Audiências do meu ministério pontifício, procurei executar o “testamento” do meu estimado Predecessor João Paulo I. Como é sabido, ele não deixou testamento escrito, porque a morte o arrebatou inesperada e improvisamente, mas deixou alguns apontamentos de que se conclui ter-se proposto, nos primeiros encontros das quartas-feiras, falar dos princípios fundamentais da vida cristã, ou seja, das três virtudes teologais — e isto teve tempo de o realizar — e depois das quatro virtudes cardeais — isto o está fazendo o seu indigno sucessor. Hoje é a vez de falar da quarta virtude cardeal, a “temperança”, acabando de cumprir assim, dalgum modo, o programa de João Paulo I, programa em que pode ver-se como que um testamento do Pontífice falecido.

2. Quando falamos das virtudes —  não só das cardeais, mas de todas e cada uma das virtudes — devemos conservar sempre diante dos olhos o homem real, o homem concreto. A virtude não é alguma coisa de abstracto, separado da vida, mas, pelo contrário, tem profundas “raízes” na vida mesma, dela brota, é ela que forma. A virtude incide na vida do homem, nas suas acções e no seu comportamento. Disto resulta que, em todas estas nossas reflexões, não falamos tanto da virtude quanto do homem que vive e procede “virtuosamente”; falamos do homem prudente, justo, corajoso e, por fim, hoje exactamente, falamos do homem “temperante” (ou “sóbrio”).

Acrescentemos imediatamente que todos estes atributos, ou melhor atitudes do homem, provenientes de cada uma das virtudes cardeais, estão entre si conexas. Não se pode, por conseguinte, ser homem verdadeiramente prudente, nem autenticamente justo, nem realmente forte, se não se tem ainda a virtude da temperança. Pode-se dizer que esta virtude condiciona indirectamente todas as outras virtudes; mas deve-se dizer também que todas as outras virtudes são indispensáveis para que o homem possa ser “temperante” (ou “sóbrio”).

3. O próprio vocábulo “temperança” parece em certo modo referir-se ao que está “fora do homem”. Dizemos, de facto, que temperante é aquele que não abusa de alimentos, de bebidas e de prazeres, que não toma imoderadamente bebidas alcoólicas, não se priva da consciência pelo uso de estupefacientes, etc. Esta referência a elementos externos ao homem tem contudo a sua base dentro do homem. É como se em cada um de nós existisse um “eu superior” e um “eu inferior”. No nosso “eu inferior” exprime-se o nosso “corpo” e tudo o que lhe pertence: as suas carências, os seus desejos, as suas paixões de natureza prevalentemente sensual. A virtude da temperança garante a cada homem o domínio do “eu superior” sobre o “eu inferior”. Temos aqui humilhação do nosso corpo? ou diminuição? Pelo contrário, este domínio valoriza o corpo. A virtude da temperança leva o corpo e os nossos sentidos a encontrarem o justo lugar que lhes pertence no nosso ser humano.

O homem temperante é aquele que é senhor de si mesmo. Aquele em que as paixões não tornam a supremacia sobre a razão, sobre a vontade e também sobre o “coração”. O homem que sabe dominar-se a si mesmo! Se assim é, facilmente nos damos conta do valor fundamental e radical que tem a virtude da temperança. É absolutamente indispensável, para que o homem “seja” plenamente homem. Basta reparar nalguém que, arrastado pelas suas paixões, delas se torna “vítima”, renunciando ele próprio ao uso da razão (como, por exemplo, um alcoolizado, um drogado). Verificamos então com evidência que “ser homem” significa respeitar a própria dignidade e, por isso, em particular deixar-se guiar pela virtude da temperança.

4. Esta virtude é chamada também “sobriedade”. E é bem justo chamá-la assim! De facto, para podermos dominar as paixões — a concupiscência da carne, as explosões da sensualidade (por exemplo nas relações com o outro sexo) etc., devemos não ultrapassar o justo limite que se põe a nós próprios e ao nosso “eu inferior”. Se não respeitamos este justo limite, não seremos capazes de dominar-nos. Não quer isto dizer que o homem virtuoso, sóbrio, não possa ser “espontâneo”, não possa gozar, não possa chorar, não possa manifestar os próprios sentimentos, isto é, não significa que deva tornar-se insensível, “indiferente”, como se fosse de gelo ou de pedra. Não, de nenhum modo! Basta olharmos para Jesus e convencer-nos-emos. A moral cristã nunca se identificou com a estóica. Pelo contrário, considerando toda a riqueza dos afectos e das emotividades de que é dotado cada homem — cada um aliás de modo diverso: dum modo o homem, doutro a mulher por causa da sensibilidade de cada um — é necessário reconhecer que o homem não pode chegar a esta espontaneidade madura, senão através de um trabalho intenso sobre si mesmo e uma especial “vigilância” sobre todo o seu comportamento. Nisto está de facto a virtude da “temperança”, da “sobriedade”.

5. Julgo que esta virtude exige de cada um de nós uma especial humildade quanto aos dons que Deus colocou na nossa natureza humana. Diria, “a humildade do corpo” e a “do coração”. Esta humildade é condição necessária para a “harmonia” interior do homem: para a beleza “interior” do homem. Cada um reflicta bem neste ponto, em especial reflictam os jovens, e mais ainda as jovens, na idade em que tanto se tem a peito ser belo ou bela, para agradar aos outros! Recordemo-nos que o homem deve ser belo sobretudo interiormente. Sem esta beleza, todos os esforços que tenham em vista só o corpo não farão — nem dele nem dela — uma pessoa verdadeiramente bela.

E não é, por sinal, precisamente o corpo que sofre prejuízos sensíveis e muitas vezes até notáveis quanto à saúde, se falta ao homem a virtude da temperança, da sobriedade? A este propósito, muito poderiam dizer as estatísticas e as fichas clínicas de todos os hospitais do mundo. Disso possuem também grande experiência os médicos ocupados nos consultórios, a quem muitas vezes se dirigem noivos e jovens em geral. É verdade que não podemos julgar a virtude baseando-nos exclusivamente no critério da saúde psicofísica, abundam todavia as provas de a falta da virtude da temperança, da sobriedade, vir a prejudicar a saúde.

6. É preciso que eu termine aqui, embora esteja convencido de este assunto ficar mais interrompido do que esgotado. Talvez um dia se apresente a ocasião de a ele voltar.

Por agora, basta isto.

Deste modo procurei, como pude, executar o testamento de João Paulo I.

Rogo-lhe que peça por mim, quando tiver de passar a outros assuntos durante as audiências da quarta-feira.

A Virtude Cardeal da Fortaleza

O York Blog publicará nas próximos quartas-feiras uma sequência de Audiências Públicas dos Papas João Paulo I (1978) e João Paulo II (1978-2005) realizadas em 1978 sobre as três virtudes teologais (pelo Papa João Paulo I) e as quatro virtudes cardinais (pelo Papa João Paulo II). Essas virtudes estão imensamente presentes nos nossos rituais e devem ser tratadas com a devida atenção. Esperamos que os textos, que não são especificamente maçônicos, possam ajudar os maçons a trabalharem e entenderem melhor essas virtudes.

Todos os textos foram retirados diretamente do site do Vaticano já traduzidos para o Português.

 

A VIRTUDE DA FORTALEZA

por João Paulo II

15 de novembro de 1978

O Papa João Paulo I, falando da varanda da Basílica de São Pedro, no dia seguinte à sua eleição, recordou em especial que durante o Conclave de 26 de Agosto, quando tudo já indicava que ele precisamente seria escolhido, os Cardeais que lhe estavam ao lado lhe sussurraram ao ouvido: “Coragem!”. Provavelmente esta palavra, naquele momento, era necessária para ele e imprimiu-se-lhe no coração, uma vez que logo no dia seguinte a recordou. João Paulo I me perdoará se agora me sirvo da sua confidência. Creio que ela conseguirá introduzir-nos do melhor modo, a nós todos aqui presentes, no tema que desejo desenvolver. De facto, desejo falar hoje da terceira virtude cardeal, isto é, da fortaleza. Exactamente a esta virtude nos referimos quando queremos exortar alguém a ter coragem, como fez o Cardeal vizinho a João Paulo I no Conclave, quando lhe disse: “Coragem!”.

Quem julgamos nós ser homem forte, corajoso? Esta palavra evoca ordinariamente o soldado que defende a Pátria, expondo ao perigo a sua saúde e até a sua vida em tempo de guerra. Damo-nos porém conta que, mesmo em tempo de paz, precisamos de fortaleza. Por isso alimentamos grande estima pelas pessoas que se distinguem pela chamada “coragem civil”. Um testemunho de fortaleza é-nos oferecido por quem expõe a própria vida para salvar alguém que está para afogar-se, ou pelo homem que traz o seu auxílio nas calamidades naturais, como incêndios, inundações, etc.

Certamente se distinguia por esta virtude São Carlos, o meu Patrono, que durante a peste de Milão exercia o seu ministério pastoral entre os habitantes dessa cidade. Mas pensemos também com admiração naqueles homens que escalam os píncaros do Everest ou nos cosmonautas quando pela primeira vez põem o pé na lua.

Como se conclui de tudo isto, as manifestações da virtude da fortaleza são numerosas. Algumas delas são muito conhecidas e gozam de certa fama. Outras são menos conhecidas, ainda que muitas vezes exijam uma virtude ainda maior. A fortaleza, de facto, como dissemos no princípio, é uma virtude, uma virtude cardeal. Permiti-me que atraia a vossa atenção para exemplos em geral pouco conhecidos, mas que em si mesmos testemunham grande virtude, às vezes mesmo heróica.

Penso, por exemplo, numa mulher, mãe de família já numerosa, a quem é “aconselhado” por muitos suprimir uma nova vida concebida no seu seio, submetendo-se “à intervenção” que interrompe a maternidade: e ela responde com firmeza: “não”. Sem dúvida sente toda a dificuldade que este “não” traz consigo, dificuldade para ela, para o marido, para toda a família; apesar de tudo, responde: “não”. A nova vida humana nela concebida é um valor demasiado grande, demasiado “sagrado”, para ela poder sujeitar-se a tais pressões.

Mais um exemplo: um homem a quem é prometida a liberdade e até uma carreira fácil, contanto que renegue os seus princípios ou aprove alguma coisa que seja contra a sua honestidade para com os outros. E também ele responde: “não”, mesmo defronte a ameaças, por um lado, e atractivos, por outro. Eis uni homem corajoso!

Muitas, muitíssimas são as manifestações de fortaleza, muitas vezes heróicas, de que não se escreve nos jornais ou de que pouco se sabe. Só a consciência humana as conhece… e Deus sabe-o!

Desejo prestar homenagem a todos estes corajosos desconhecidos. A todos os que têm a coragem de dizer “não” ou “sim”, quando custa! Aos homens que dão testemunho singular de dignidade humana e profunda humanidade. Precisamente porque são desconhecidos, merecem homenagem e um reconhecimento particular.

Segundo a doutrina de São Tomás, a virtude da fortaleza encontra-se no homem,

— que está pronto a “aggredi pericula“, isto é, a afrontar o perigo;

— que está pronto a “sustinere mala“, isto é, a suportar a adversidade por uma causa justa, pela verdade, pela justiça, etc.

A virtude da fortaleza requer sempre alguma superação da fraqueza humana e sobretudo do medo. O homem, de facto, por natureza teme espontaneamente o perigo, os dissabores e os sofrimentos. preciso, por isso, procurar os homens corajosos não só nos campos de batalha, mas também nas salas dum hospital ou num leito de dor. Tais homens podiam-se encontrar muitas vezes nos campos de concentração e nos locais de deportação. Eram autênticos heróis.

O medo tira às vezes a coragem cívica aos homens que vivem num clima de ameaça, de opressão ou de perseguição. Especial valor têm então os homens que são capazes de transpor a chamada barreira do medo, com o fim de testemunhar a verdade e a justiça. Para chegar a tal fortaleza, o homem deve em certo modo “ultrapassar” os próprios limites e “superar-se” a si mesmo, correndo “o risco” de uma situação desconhecida, o risco de ser mal visto, o risco de expor-se a consequências desagradáveis, injúrias, degradações, perdas materiais, talvez a prisão ou as perseguições. Para conseguir tal fortaleza, o homem precisa de ser sustentado por grande amor pela verdade e pelo bem, a que se dedica. A virtude da fortaleza anda a par com a capacidade de cada um a sacrificar-se. Esta virtude tinha .já para os antigos um perfil bem definido. Com Cristo adquiriu um perfil evangélico, cristão. O Evangelho dirige-se aos homens fracos, pobres, mansos e humildes, mensageiros de paz, misericordiosos e, ao mesmo tempo, contém em si constante apelo à fortaleza. Repete muitas vezes: Não tenhais medo (Mt 14, 27). Ensina ao homem que, por uma justa causa, pela verdade, pela justiça, é preciso saber dar a vida (Jo 15, 13).

Desejo aqui referir-me a outro exemplo, que provém de há 400 anos, mas se conserva sempre vivo e actual. Trata-se da figura de São Estanislau Kostka, patrono dos jovens, cujo túmulo se encontra na igreja de Santo André ao Quirinal, em Roma. Aqui, de facto, terminou a sua vida aos 18 anos de idade este santo, por natureza muito sensível e terno, todavia muito corajoso.

A fortaleza levou-o, a ele proveniente de nobre família, a escolher ser pobre, seguindo o exemplo de Cristo, e a colocar-se ao seu serviço exclusivo. Embora a sua decisão encontrasse firme oposição. por parte do ambiente, conseguiu com grande amor, mas também com grande firmeza, realizar o seu propósito, expresso no mote: “Ad maiora natus sum” (“nasci para coisas maiores”). Chegou ao noviciado dos Jesuítas, percorrendo a pé o caminho de Viena a Roma e procurando fugir aos seus perseguidores que desejavam, pela força, afastar este “obstinado” jovem, dos seus intentos.

Sei que no mês de Novembro muitos jovens de toda Roma — especialmente estudantes, alunos, noviços — visitam o túmulo de Santo Estanislau na igreja de Santo André. Estou unido a eles, porque também a nossa geração precisa de homens que saibam com santa “obstinação” repetir: “Ad maiora natus sum“. Temos necessidade de homens fortes!

Temos necessidade de fortaleza para ser homens. De facto, só é homem verdadeiramente prudente aquele que possui a virtude da fortaleza; assim como também só é homem verdadeiramente justo aquele que tem a virtude da fortaleza.

Peçamos este dom do Espírito Santo que se chama o “dom da fortaleza”. Quando ao homem faltam as forças para “superar-se” a si mesmo em vista de valores superiores — como a verdade, a ,justiça, a vocação e a fidelidade matrimonial — é necessário que este “dom do alto” faça de cada um de nós um homem forte e, no devido momento, nos diga “no íntimo”: coragem!

A Virtude Cardeal da Justiça

O York Blog publicará nas próximos quartas-feiras uma sequência de Audiências Públicas dos Papas João Paulo I (1978) e João Paulo II (1978-2005) realizadas em 1978 sobre as três virtudes teologais (pelo Papa João Paulo I) e as quatro virtudes cardinais (pelo Papa João Paulo II). Essas virtudes estão imensamente presentes nos nossos rituais e devem ser tratadas com a devida atenção. Esperamos que os textos, que não são especificamente maçônicos, possam ajudar os maçons a trabalharem e entenderem melhor essas virtudes.

Todos os textos foram retirados diretamente do site do Vaticano já traduzidos para o Português.

 

“BEM AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA”

por João Paulo II

8 de novembro de 1978

1. Durante estas primeiras audiências em que tenho a felicidade de encontrar-me convosco vindos aqui de Roma, da Itália e de tantos outros países — desejo, como já disse a 25 de Outubro, continuar a desenvolver os temas estabelecidos por João Paulo I, meu Predecessor. Ele queria falar não só das três virtudes teologais — fé, esperança e caridade —  a mas também das quatro virtudes cardeais: prudência, justiça, fortaleza e temperança. Via nelas todas juntas — como sete lâmpadas cla vida cristã. Tendo-o Deus chamado à eternidade, só Ode falar das trás principais — fé, esperança e caridade —, que iluminam toda a vida do cristão. O seu indigno Sucessor, ao encontrar-se convosco para reflectir, no espírito do seu saudoso Predecessor, sobre as virtudes cardeais, quer acender, em certo sentido, as outras lâmpadas junto do seu ti. mulo.

2. Toca-me hoje falar da justiça. Bom é talvez que este seja o tema da primeira catequese no mês de Novembro. De facto, este mês leva-nos a fixar os olhos sobre a vida de cada homem, e ao mesmo tempo sobre a vida de toda a humanidade, na perspectiva da justiça final. Todos, em certo modo, sabemos que, na transitoriedade deste mundo, não é possível realizar a medida plena da justiça. Talvez que as palavras tantas vezes ouvidas, “Não ha justiça neste mundo”, sejam fruto dum simplismo demasiado fácil. Há nelas, porém, ao mesmo tempo um principio de profunda verdade. A justiça é, em certo modo, maior que o homem, que as dimensões da sua vida terrena, que as possibilidades de estabelecer nesta vida relações plenamente justas entre os homens, os ambientes, as sociedades e grupos sociais, as nações, e assim por diante. Cada homem vive e morre com certa sensação de a justiça não estar completa, porque o mundo não é capaz de satisfazer completamente um ser criado à imagem de Deus, de o satisfazer nem na profundidade da sua pessoa nem nos vários aspectos da sua vida humana. E assim, por meio desta fome de justiça, o homem abre-se a Deus que “é a justiça mesma”. Jesus, no Sermão da Montanha, expressou isto dum modo claro e conciso, dizendo: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados (Mt 5, 6).

3. Tendo diante dos olhos este sentido evangélico da justiça, devemos considerá-la ao mesmo tempo como dimensão fundamental da vida humana sobre a terra: vida do homem, da sociedade e da humanidade. Esta é a dimensão ética. A justiça é princípio fundamental da existência e da coexistência dos homens, como também das comunidades humanas, das sociedades e dos povos. Além disso, a justiça é princípio da existência da Igreja como Povo de Deus, e princípio de coexistência da Igreja e das várias estruturas sociais, em particular do Estado, como também das organizações internacionais. Neste terreno vasto e diferenciado, o homem e a humanidade procuram continuamente justiça: é um processo perene e um encargo de suprema importância.

Segundo as diversas relações e os diversos aspectos, a justiça obteve, através dos séculos, definições mais apropriadas. Daqui o conceito da justiça comutativa, distributiva, legal e social. Tudo isto mostra a grandeza do significado fundamental que tem a justiça para a ordem moral entre os homens, nas relações sociais e internacionais. Pode dizer-se que até o sentido da existência do homem sobre a terra está ligado à justiça. Definir correctamente “quanto é devido” a cada um por todos, e ao mesmo tempo a todos por cada um “o que é devido” (debitum) ao homem pelo homem em diversos sistemas e relações — definir, e antes de mais realizar! é grande coisa, pela qual cada homem vive e graças à qual a sua vida tem sentido.

Mantém-se portanto, durante os séculos da existência humana na terra, um esforço contínuo e uma luta contínua para ordenar com justiça o conjunto da vida social nos seus vários aspectos. É necessário olhar com respeito para a multiplicidade de programas e para a actividade, às vezes reformadora, de diversas tendências e sistemas. É necessário, ao mesmo tempo, ter consciência de não se tratar aqui primeiramente dos sistemas, mas da justiça e do homem. Não pode ser o homem para o sistema, mas o sistema deve ser para o homem. Por isso é necessário defendermo-nos do enquilosamento do sistema. Refiro-me aos sistemas sociais, económicos, políticos e culturais, que devem ter conta do homem, do seu bem integral, e devem ser capazes de se reformar a si mesmos, as suas estruturas próprias, segundo as exigências da verdade plena sobre o homem. Deste ponto de vista é que há-de medir-se o grande esforço dos nossos tempos, que tende a definir e a consolidar “os direitos do homem” na vida da humanidade hodierna, dos povos e dos Estados.

A Igreja do nosso século mantém-se em diálogo contínuo sobre a grande frente do mundo contemporâneo, como o testemunham numerosas encíclicas dos Papas e a doutrina do Concílio Vaticano II. O actual Papa terá certamente de voltar outras vezes a estes argumentos. Na breve exposição de hoje basta porém limitar-me a assinalar apenas este vasto e diferenciado terreno.

4. É necessário para cada um de nós poder viver num contexto de justiça, e ainda mais, ser cada um de nós justo e actuar com justiça a respeito dos que estão perto e dos que estão longe, da comunidade, da sociedade de que é membro… e a respeito de Deus.

A justiça tem de atender a muitas coisas e reveste muitas formas. Há também uma forma de justiça que tem em vista aquilo que o homem “deve” a Deus. Já só este tema é principal e vasto. Não o desenvolverei agora, ainda que não possa fugir a indicá-lo.

Detenhamo-nos entretanto sobre os homens. Cristo deixou-nos o manda-mento do amor do próximo. Neste mandamento inclui-se também tudo o que diz respeito à justiça. Não pode haver amor sem justiça. O amor “supera” a justiça, mas, ao mesmo tempo, encontra a sua verificação na justiça. Até o pai e a mãe, amando o próprio filho, devem ser justos com ele. Vacilando a justiça, também o amor corre perigo.

Ser justo significa dar a cada um o que lhe é devido. Isto diz respeito aos bens temporais, de natureza material. O melhor exemplo pode ser, neste particular, a retribuição do trabalho ou o chamado direito aos frutos do próprio trabalho ou da própria terra. Mas ao homem deve-se, além disso, o bom nome, o respeito, a consideração e a fama, que para si mereceu. Quanto mais conhecemos o homem, tanto mais se nos revelam a sua personalidade, o seu carácter, a sua inteligência e o seu coração, E tanto mais nos damos conta — e devemos dar-nos conta! — do critério com que devemos “medi-lo” e o que significa sermos justos para com ele.

É por isso, necessário aprofundar-mos continuamente o conhecimento da justiça. Não se trata duma ciência teórica. É virtude, é capacidade do espírito humano, da vontade humana e também do coração. Requer-se ainda que oremos para sermos justos e sabermos ser justos. Não podemos esquecer as palavras de Nosso Senhor. Com a medida cora que medirdes sereis medidos (Mt7, 2).

Homem justo, homem de “justa medida”.

Sejamo-lo todos! Tendamos todos sem descanso para o virmos a ser!

A todos a minha bênção.

A Virtude Cardeal da Prudência

O York Blog publicará nas próximos quartas-feiras uma sequência de Audiências Públicas dos Papas João Paulo I (1978) e João Paulo II (1978-2005) realizadas em 1978 sobre as três virtudes teologais (pelo Papa João Paulo I) e as quatro virtudes cardinais (pelo Papa João Paulo II). Essas virtudes estão imensamente presentes nos nossos rituais e devem ser tratadas com a devida atenção. Esperamos que os textos, que não são especificamente maçônicos, possam ajudar os maçons a trabalharem e entenderem melhor essas virtudes.

Todos os textos foram retirados diretamente do site do Vaticano já traduzidos para o Português.

 

A VIRTUDE DA PRUDÊNCIA

por João Paulo II

25 de outubro de 1978

Quando na quarta-feira, 27 de Setembro, o Santo Padre João Paulo I falou aos que tomavam parte na audiência geral, ninguém podia imaginar que se tratasse da última vez. A sua morte — depois de 33 dias de pontificado — surpreendeu e encheu o mundo inteiro de luto profundo. Ele que despertou na Igreja tão grande alegria e inspirou nos corações dos homens tanta esperança, em tão breve tempo consumou e levou a termo a sua missão. Na morte que teve, verificaram-se as palavras tão repetidas do Evangelho: Estai preparados, porque o Filho do homem virá na hora em que menos pensardes (Mt. 24, 44). João Paulo I vigiava sempre. A chamada do Senhor não o surpreendeu. Seguiu-a com a mesma vibrante prontidão com que, a 26 de Agosto, tinha aceitado a eleição para o sólio de São Pedro.

Hoje apresenta-se a vós, pela primeira vez, João Paulo II. À distância de quatro semanas daquela audiência geral, deseja saudar-vos e falar convosco. Deseja continuar os temas já iniciados por João Paulo I. Recordamos que falou das três virtudes teologais — fé, esperança e caridade. Acabou tratando da caridade. Esta virtude — que formou o seu último ensinamento — é na terra a maior, como ensinou São Paulo ( Cor. 13, 13); é a que atravessa o limiar entre a vida e a morte. Pois, quando termina o tempo da fé e da esperança, continua o Amor. João Paulo I .iá passou o tempo da fé e da esperança; e também o de a caridade se expressar na terra tão magnificamente, a caridade cuja plenitude só na eternidade se revela.

Hoje devemos falar doutra virtude, porque dos apontamentos do Pontífice falecido conclui que era sua intenção tratar, não só das três virtudes teologais — fé, esperança e caridade —, mas também das quatro virtudes chamadas cardeais. João Paulo I queria falar das “sete lâmpadas” da vida cristã; assim lhes chamava o Papa João XXIII.

Pois bem, hoje eu quero continuar esse esquema, que o Papa desaparecido preparara, e falar brevemente da virtude da prudência. Desta virtude não pouco trataram já os antigos. Devemos-lhes,  por isso, reconhecimento profundo e gratidão. Em certo sentido ensinaram-nos que o valor do homem deve medir-se com o metro do bem moral, que ele realiza durante a vida. É isto exactamente o que, em primeiro lugar, assegura a virtude da prudência. O homem prudente, que se aplica a tudo o que é verdadeiramente bom, esforça-se por medir todas as coisas, todas as situações e todo o seu operar, pelo metro do bera moral. Prudente não é pois aquele que — como muitas vezes se entende — sabe arranjar-se na vida e sabe tirar dela o maior proveito; mas aquele que sabe construir toda a sua existência segundo a voz da recta consciência e segundo as exigências da moral justa.

Assim a prudência constituí a chave para a realização do encargo fundamental que Deus confiou a cada um. Este encargo é a perfeição do próprio homem. Deus entregou a cada um de nós a humanidade que tem. necessário que nós correspondamos ao encargo recebido programando-o como ele requer.

Mas o cristão tem o direito e o dever de observar a virtude da prudência, também noutra perspectiva. A prudência é como imagem e semelhança da Providência de Deus nas dimensões do homem concreto. Porque o homem sabemo-lo pelo livro do Génesis — foi criado à imagem e semelhança de Deus. E Deus realiza o Seu plano na história da criação e sobretudo na história da humanidade. A finalidade deste desígnio é — como ensina São Tomás — o bem último do universo. O mesmo desígnio torna-se na história da humanidade simplesmente o desígnio da salvação, o desígnio que diz respeito a todos nós. No ponto central da sua realização encontra-se Jesus Cristo no Qual se expressou o eterno amor e a solicitude do próprio Deus, Pai, pela salvação do homem. Esta é, ao mesmo tempo, a plena expressão da Divina Providência.

Pois bem, o homem que é a imagem de Deus, deve ser — como de novo ensina São Tomás — de certo modo, a providência. Mas na medida da sua vida. Ele pode participar neste grande caminho de todas as criaturas para o termo, que é o bem do que foi criado. Deve — exprimindo-nos ainda mais na linguagem da fé — participar no divino desígnio da salvação. Deve caminhar para a salvação e ajudar os outros a salvarem-se. Ajudando os outros, salva-se a si mesmo.

Peço a quem me escuta que pense agora, a esta luz, na própria vida. Sou prudente? Vivo em consequência com o que sou, responsavelmente? O programa que realizo serve para o verdadeiro bem? Serve para a salvação que querem de nós Cristo e a Igreja? Se hoje me escuta um estudante ou uma estudante, um filho ou uma filha, olhe a esta luz para as próprias obrigações de escola, as leituras, os interesses, os passatempos e o ambiente dos amigos e das amigas. Se me escuta um pai ou uma mãe de família, pense um pouco nos seus deveres conjugais e de progenitura. Se me escuta um ministro ou homem de Estado, olhe para a extensão dos seus deveres e responsabilidades. Procura ele o bem verdadeiro da sociedade, da nação e da humanidade? Ou só interesses particulares e parciais? Se me escuta um jornalista, um publicista, uni homem que exerce influxo na opinião pública, reflicta sobre o valor e sobre o fim desta sua influência.

Também eu que vos falo, eu o Papa, que devo fazer para actuar prudentemente? Vêm-me ao espírito as cartas de Albino Luciani, então Patriarca de Veneza, a São Bernardo. Na sua resposta ao Cardeal Luciani, o Abade de Claraval — Doutor da Igreja — recorda com grande insistência que deve ser “prudente” quem governa. Que há-de fazer então o novo Papa a fim de proceder prudentemente? Sem dúvida muito deve fazer neste sentido. Deve sempre aprender e sempre meditar em tais problemas. Mas, além disso, que pode Ele fazer? Deve orar e fazer o possível por ter aquele dom do Espírito Santo que se chama dom do conselho. E todos quantos desejam que o novo Papa seja Pastor prudente da Igreja, peçam para Ele o dom do conselho. E para si mesmos, peçam também este dom, por meio da especial intercessão da Mãe do Bom Conselho. Porque deve desejar-se muito que todos os homens se comportem prudentemente e que procedam com verdadeira prudência aqueles que exercem o poder. Para que a Igreja — prudentemente, fortificando-se com os dons do Espírito Santo e em particular com o dom do conselho — participe com eficácia neste grande itinerário para o bem de todos, e para que a todos mostre o caminho da salvação eterna.

Presidentes Americanos Maçons (Final)

O York Blog publicará nas próximas segundas uma sequência de resumos biográficos dos Presidentes Americanos Maçons publicado pela Grande Loja do Texas.

Presidentes Americanos Maçons

Por Grande Loja do Texas

Tradução: Luiz Felipe Rosezweig Ferreira

HARRY S. TRUMAN, 33º PRESIDENTE AMERICANO (1945 – 1953)

Harry Truman nasceu em Lamar, Missouri, em 1884. Ele cresceu em Independence e por 12 anos foi um próspero fazendeiro do Missouri. Na I Guerra Mundial foi para a França como capitão na artilharia de campo. Retornando, ele se casou com Elizabeth Virginia Wallace e abriu uma pequena loja em Kansas City. Truman era um maçom bastante atuante tendo recebido seus graus na “Belton Lodge” em Grandview, Missouri, em 1909. Em 1911 Truman e outros Irmãos organizaram a “Grandview Lodge” sendo Truman o primeiro Venerável Mestre. Em 1940, Truman foi eleito Grão-Mestre da Grande Loja do Missouri e serviu até outubro de 1941. Truman tornou-se Senador em 1934 e acompanhou ativamente os esforços de guerra. O Irmão Franklin D. Roosevelt escolheu Truman para ser candidato à vice-presidente nas eleições de 1944, vencida por Roosevelt. Durante algumas semanas como Vice-Presidente Truman pouco viu Roosevelt e não recebeu informações sobre o desenvolvimento da bomba atômica ou das dificuldades que se desdobravam com a Russa Soviética. Inesperadamente Truman assumiu esses e outras questões quando em 12 de abril de 1945, após a morte de Roosevelt, assumiu a presidência. Ele disse aos repórteres “Eu me senti como se a Lua, as estrelas e os outros planetas tivessem caído sobre mim”. Como Presidente Truman tomou algumas das decisões mais cruciais da história. Logo após o Dia da Vitória na Europa[1] (8 de maio de 1945) a guerra contra o Japão atingiu sua fase final. Os japoneses rejeitaram a rendição, então Truman, após consultar seus conselheiros ordenou que a bomba atômica fosse lançada sobre as cidades dedicadas ao trabalho de guerra (Hiroshima e Nagasaki). A rendição japonesa seguiu-se rapidamente. Em 1948, a campanha foi dominada pela crise política internacional, mas Truman venceu a disputa. Posteriormente em 1952 Truman decidiu não concorrer a um segundo mandato aposentando-se da presidência em 1953 retornando para Independence, Missouri, onde faleceu em 26 de dezembro de 1972, com 88 anos.

 

GERALD R. FORD, 38º PRESIDENTE AMERICANO (1974 – 1977)

Nascido em Omaha, Nebrasca, em 1913, Gerald R. Ford cresceu em Grand Rapids, Michigan. Ele foi uma estrela no time de futebol americano da Michigan University, depois indo para Yale onde atuou como assistente técnico e obteve o diploma de Direito. Durante a II Grande Guerra alcançou o posto de tenente-comandante da Marinha. Depois da Guerra retornou para Grand Rapids onde começou a exercer a advocacia e entrou para o partido republicano. Em 1948 foi eleito para o Congresso onde desenvolveu uma reputação de integridade e transparência. Essa reputação foi mantida durante os 25 anos em que esteve no Congresso, onde atuou como líder da minoria entre 1965 e 1973. Ford iniciou na maçonaria em 30 de setembro de 1949 na “Malta Lodge” em Grand Rapids. Em 1951 ele foi passado e elevado na “Columbia Lodge”, a pedido de sua Loja mãe, enquanto servia como Deputado. Ford tomou posse como Presidente em 9 de agosto de 1974 e declarou “Eu assumo a presidência em circunstâncias extraordinárias. Esta é uma hora da história que pertuba nossas mentes e fere nossos corações”. É verdade que foi um momento sem precedentes. Ele foi o primeiro vice-presidente escolhido nos termos da 25ª Emenda  e por conta do Watergate  assumiu com a renúnica do Presidente Nixon . Ford ganhou a indicação republicana em 1976 mas perdeu a eleição para seu adversário democrata.

 

O 15º PRESIDENTE MAÇOM

No tribunal de Plattsburg, Missouri, na estátua do Irmão Atchinson há a inscrição “David Rice Atchinson 1807 – 1886, Presidente dos Estados Unidos por um dia”. O motivo disso foi a transição do cargo do Presidente James Polk para Zachary Taylor. De acordo com a lei na época o Presidente Polk deveria deixar o cargo em 4 de março de 1849. Porém Taylor era um homem profundamente religioso e não aceitava ser empossado em um domingo. Assim, de acordo com as leis de sucessão a Presidência recairia para o Vice-Presidente George Dallas, porém, seu mandato também terminava em 4 de março. Assim, a linha de sucessão na sequência dava o direito ao Presidente Pro-Tempore do Senado[2] – na época o Irmão David Rice Atchinson. O problema foi debatido no Congresso por várias horas e acordado por eles que o Irmão Atchinson embora nunca tenha sido empossado pela Constituição Americana foi legalmente Presidente em 5 de março de 1849. O Irmão Atchinson era um membro da “Platte Lodge” em Platte City, Missouri.

[1] Não confundir com o Dia “D” ocorrido em 1944.

[2] Constitucionalmente o Vice-Presidente Americano também é o Presidente do Senado, ficando aos Senador a incumbência de eleger o Vice-Presidente Pro-Tempore, que é quem habitualmente preside as sessões.

A Virtude Teologal da Caridade

O York Blog publicará nas próximos quartas-feiras uma sequência de Audiências Públicas dos Papas João Paulo I (1978) e João Paulo II (1978-2005) realizadas em 1978 sobre as três virtudes teologais (pelo Papa João Paulo I) e as quatro virtudes cardinais (pelo Papa João Paulo II). Essas virtudes estão imensamente presentes nos nossos rituais e devem ser tratadas com a devida atenção. Esperamos que os textos, que não são especificamente maçônicos, possam ajudar os maçons a trabalharem e entenderem melhor essas virtudes.

Todos os textos foram retirados diretamente do site do Vaticano já traduzidos para o Português.

 

A CARIDADE

por João Paulo I

27 de Setembro de 1978

“Meu Deus, com todo o coração e acima de todas as coisas Vos amo, bem infinito e nossa eterna felicidade, e por vosso amor amo o meu próximo como a mim mesmo e perdôo as ofensas recebidas. Ó Senhor, ame-vos eu cada vez mais”. É oração conhecidíssima, com expressões bíblicas embutidas. Foi minha mãe que ma ensinou. Rezo-a várias vezes por dia, mesmo agora, e procuro explicar-vo-la, palavra por palavra, como faria um catequista de paróquia. Estamos na “terceira lâmpada de santificação” do Papa João: a caridade.

Amo. Na aula de filosofia dizia-me o professor: — Tu conheces a torre de São Marcos? — Conheço. — Isso significa que ela entrou dalgum modo na tua mente: fisicamente ficou onde estava, mas no teu íntimo ela imprimiu quase um retrato seu, intelectual. Mas tu, por tua vez, amas a torre de São Marcos? Significa isto que aquele retrato te impele de dentro e te inclina, quase te leva e te faz ir, com o espírito, até à torre que está fora.

Numa palavra: amar significa viajar, correr com o coração para o objecto amado. Diz a Imitação de Cristo: quem ama “currit, volat, laetatur”: corre, voa e alegra-se (Imitação de Cristo, 1. III, c. V, n. 4). Amar a Deus é portanto um viajar com o coração para Deus. Viagem belíssima, embora comporte por vezes sacrifícios. Mas estes não nos devem fazer parar. Jesus está na cruz: queres beijá-l’O? Não o podes fazer sem te debruçares sobre a cruz e deixar que te fira algum espinho da coroa, que está na cabeça do Senhor (Cfr. Sales, Oeuvres, Annecy, t. XXI. p. 153). Não podes fazer a figura do bom São Pedro, que foi valente em gritar “Viva Jesus” no monte Tabor, onde havia alegria, mas não deixou sequer que o vissem ao lado de Jesus no monte Calvário, onde havia risco e dor (Ibidem:. t. XV, p. 140). O amor a Deus é também viagem misteriosa: isto é, eu não parto se Deus não toma primeiro a iniciativa.Ninguém — disse Jesus — pode vir a mim, se o Pai… o não atrair (Jo. 6, 44). Perguntava Santo Agostinho a si mesmo: Mas, então, a liberdade humana? Deus, que decidiu que ela existisse e construiu essa liberdade, sabe muito bem como respeitá-la, levando embora os corações ao ponto que tinha em vista: “parum est voluntate, etiam voluptate traheris”; Deus atrai-te não só de modo que tu mesmo venhas a querer, mas até de modo que tu gostes de ser atraído (Augustinus, In Io. Evang. Tr. 26, 4).

Com todo o coração. Faço notar, aqui, o adjectivo “todo”. O totalitarismo, em política, é feio. Na religião, pelo contrário, um totalitarismo nosso, quanto a Deus, está muitíssimo bem. Foi escrito: Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. Estes mandamentos, que hoje te imponho, serão gravados no teu coração. Ensiná-los-ás aos teus filhos e meditá-los-ás quer em tua casa, quer em viagem, quer ao deitar-te ou ao levantar-te. Atá-los-ás, como símbolo, no teu braço, e usá-los-ás como um frontal entre os teus olhos. Escrevê-los-ás sobre os pilares da tua casa e sobre as tuas portas (Deut. 6, 5-9).

Aquele “todo”, repetido e levado à prática com tanta insistência, é com toda a verdade a bandeira do maximalismo cristão. E é justo: Deus é demasiado grande, demasiado merece de nós, para que baste deitar-lhe, como a um pobre Lázaro, unicamente algumas migalhas do nosso tempo e do nosso coração. bem infinito e será a nossa felicidade eterna: dinheiro, prazeres e felicidades deste mundo, em comparação com Ele, são apenas fragmentos de bem e momentos fugidios de felicidade. Não seria acertado dar muito de nós a estas coisas e dar pouco a Jesus.

Acima de todas as coisas. Agora entra-se numa comparação directa entre Deus e o homem, entre Deus e o mundo. Não seria justo dizer: “Ou Deus ou o homem”. Deve-se amar “não só a Deus mas também o homem”; este último, porém, nunca mais do que Deus ou contra Deus ou tanto como Deus. Por outras palavras: O amor de Deus é certamente dominador, mas não exclusivo. A Bíblia declara Jacob santo (Dan. 3, 35) e amado por Deus (Mal. 1, 2; Rom. 9, 13), mostra-o comprometido a sete anos de trabalho para conquistar Raquel como esposa; e pareceram-lhe poucos dias aqueles anos, tão grande era o amor que por ela sentia (Gén. 29, 20). Francisco de Sales tece sobre estas palavras um comentariozinho: “Jacob — escreve — ama Raquel com todas as suas forças, e, com todas as suas forças ama a Deus; mas nem por isso ama Raquel como a Deus, nem a Deus como a Raquel. Ama a Deus como seu Deus sobre todas as coisas e mais que a si mesmo; ama Raquel como sua esposa acima de todas as outras mulheres e como a si mesmo. Ama a Deus com amor absolutamente e soberanamente sumo, e Raquel com sumo amor marital; um amor não é contrário ao outro, porque o de Raquel não inutiliza as vantagens supremas do amor de Deus” (Sales, Oeuvres, t. V, p. 175).

E por vosso amor amo o meu próximo. Estamos aqui diante de dois amores que são “irmãos gémeos” e inseparáveis. Algumas pessoas é fácil amá-las. Outras, é difícil: não nos são simpáticas, ofenderam-nos e fizeram-nos mal. Só se amo Deus a sério, chego a amá-las a elas, como filhas de Deus e porque Deus mo pede. Jesus fixou também como há-de o próximo ser amado: quer dizer, não só com o sentimento, mas com obras. Este é o modo, disse: Perguntar-vos-ei: Tinha fome, e vós destes-me de comer quando assim estava faminto? Visitastes-me quando estava doente? (Cfr. Mt. 25, 34 ss.). O catecismo traduz estas e outras palavras da Bíblia no duplo catálogo das sete obras de misericórdia corporais e sete espirituais. O catálogo não é completo e convinha actualizá-lo. Entre os famintos, por exemplo, hoje não se trata só deste ou aquele indivíduo; são povos inteiros. Todos nos lembramos das notáveis palavras do Papa Paulo VI: “Os povos da fome dirigem-se hoje de modo dramático aos povos da opulência. A Igreja estremece perante este grito de angústia e convida cada um a responder com amor ao apelo do seu irmão” (Populorum Progressio, 3). Neste ponto, à caridade junta-se a justiça, porque — diz ainda Paulo VI — “a propriedade privada não constitui para ninguém um direito incondicional e absoluto. Ninguém tem direito de reservar para seu uso exclusivo aquilo que é supérfluo, quando a outros falta o necessário” (Ibid., 23). Por conseguinte, “torna-se escândalo intolerável… qualquer recurso exagerado aos armamentos” (Ibid., 53).

À luz destas vigorosas expressões vê-se quanto indivíduos e povos estão ainda longe de amar os outros “como a si mesmos”, que é mandamento de Jesus.

Outro mandamento: perdôo as ofensas recebidas. A este perdão quase parece que o Senhor dá precedência sobre o culto: Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta (Mt. 5, 23-24).

As últimas palavras da oração são estas: ó Senhor, ame-vos eu cada vez mais. Também aqui há obediência a um mandamento de Deus, que estabeleceu no nosso coração a sede do progresso. Das palafitas, das cavernas e das primeiras cabanas passámos às casas, aos palácios e aos arranha-céus; das viagens a pé, e sobre o dorso de mula ou de camelo, aos carros, aos combóios e aos aviões. E deseja-se progredir ainda com meios cada vez mais rápidos, atingindo metas mais e mais altas: Mas amar a Deus — já o vimos – é também uma viagem: Deus quer que ela seja cada vez mais decidida e perfeita. Disse a todos os seus: Vós sois a luz do mundo, o sal da terra (Ibid.. v. 8); sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito (Ibid. v. 48). Isto significa: amar a Deus não pouco, mas muito; não parar no ponto a que se chegou, mas, com o Seu auxílio, progredir no amor.

Presidentes Americanos Maçons (Parte 4)

O York Blog publicará nas próximas segundas uma sequência de resumos biográficos dos Presidentes Americanos Maçons publicado pela Grande Loja do Texas.

Presidentes Americanos Maçons

Por Grande Loja do Texas

Tradução: Luiz Felipe Rosenzweig Ferreira

WILLIAM H. TAFT, 27º PRESIDENTE AMERICANO (1909 – 1913)

William Howard Taft nasceu em 15 de setembro de 1857 em Cincinnati, Ohio, filho de um notável juiz. Ele se formou pela Yale University e retornou a Cincinnati para formar-se em Direito[1] e advogar. Ele apareceu na política através de nomeações para o meio jurídico[2] obtidas através da sua competência e eficácia. Taft foi feito maçom na “Body of Kilwinning Lodge” em Cincinnati, Ohio, em 18 de fevereiro de 1909. O pai de Taft e seus dois Irmãos também eram membros dessa Loja. Após a Cerimônia o Irmão e Presidente Taft escreveu aos Irmãos, dizendo: “Estou feliz por estar aqui e por ser um maçom. Faz-me bem sentir a emoção que vem do reconhecimento de Deus e da irmandade dos homens”. Taft era um ilustre jurista e um administrador eficaz, mas um péssimo político. Grande, jovial e consciencioso, Taft foi empossado como Presidente em 1909 e passou quatro desconfortáveis anos na Casa Branca tomado pelas intensas batalhas entre as facções políticas de Washington. O mandato de Taft acabou em 1913 e após isso atuou como professor de Direito na Universidade de Yale quando o Presidente e Maçom Warren Harding o nomeou Chefe de Justiça da Suprema Corte dos Estados Unidos[3], posto que ocupou até pouco antes da sua morte em 8 de março de 1930 em Washington D.C.

 

WARREN G. HARDING, 29º PRESIDENTE AMERICANO (1921 – 1923)

Warren G. Harding nasceu próximo à Marion, Ohio, em 2 de novembro de 1865. Um ativo líder civil, tornou-se editor de um jornal. Ele era curador da Trinity Baptist Church, diretor em diversos negócios importantes, líder em organizações fraternais e organizações de caridade. Harding foi iniciado na maçonaria em 28 de junho de 1901 na “Marion Lodge” em Marion, Ohio. Em virtude de seu antagonismo pessoal o Irmão Harding não foi passado até 1920, quando já havia sido eleito para Presidente. Amigos convenceram os opositores a retirar a objeção e Harding pode chegar ao grau de Mestre Maçom na mesma Loja em que iniciara, 19 anos antes. Harding ganhou a eleição de 1920 de forma surpreendente e única com 60% dos votos populares. Em 1923, após a I Guerra Mundial a depressão deu lugar a uma nova onda de prosperidade e jornais aclamaram Harding como um sábio estadista. No entanto, começaram a surgir acusações de que alguns amigos de Harding estavam usando suas posições oficiais para enriquecimento pessoal. Um Harding alarmado e preocupado temia as repercussões políticas de expor os escândalos. Depressivo Harding viajou para o Oeste no verão de 1923 carregando o peso da corrupção. Infelizmente, ele não viveu para descobrir a reação popular aos escândalos de sua administração. Em 2 de agosto de 1923 Harding morreu em São Francisco de ataque cardíaco.

 

FRANKLIN D. ROOSEVELT, 32º PRESIDENTE AMERICANO (1933 – 1945)

Franklin D. Roosevelt nasceu em 30 de janeiro de 1882 no Hyde Park, Nova York. Ele frequentou a Harvard University e depois a Columbia Law School. No dia de São Patrício de 1905 casou-se com Eleanor Roosevelt. Roosevelt entrou no serviço público através da política, servindo a diversos cargos estaduais[4] e federais[5] antes de ser eleito Governador do Estado de Nova York em 1928. No verão de 1921, aos 39 anos, foi acometido com poliomelite. Demonstrando incrível coragem Roosevelt lutou para recuperar o uso das pernas, especialmente através de natação. Roosevelt recebeu os três graus maçônicos na “Holland Lodge” em Nova York em 1911. Durante sua vida ele foi um apoiador da maçonaria e possuía uma frequência regular. Ele foi eleito Presidente em novembro de 1932 para o primeiro dos quatro mandatos que foram do pós Grande Depressão (1929) até o fim da Segunda Grande Guerra Mundial (1939 – 1945). Seu mandato coincidiu com um período de grande mudança social e política nos Estados Unidos. Roosevelt assumiu a Presidência com o país no fundo da Grande Depressão e trouxe esperança para o país, conforme prometido, agindo vigorosa e assertivamente afirmando em seu discurso de posse “a única coisa que devemos temer é o próprio medo”. Quando os japoneses atacaram Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 Roosevelt direcionou a mão de obra e recursos da nação para a II Guerra Mundial. Durante esse período ele dirigiu os esforços de guerra, mas também contemplando o plano da Organização das Nações Unidas de que dificuldades internacionais poderiam ser resolvidas. Enquanto a Guerra se aproximava do fim a saúde de Roosevelt piorou e em 12 de abril de 1945, enquanto estava em Warm Spring, Georgia, ele morreu de hemorragia cerebral no início do seu quarto mandato presidencial.

[1] Taft formou-se em Direito pela Escola de Direito de Cincinnati, a quarta mais antiga dos Estados Unidos.

[2] Ele atuou como Advogado-Geral dos Estados Unidos (1890-92) e Juiz da 6ª Corte de Apelações Federal.

[3] Taft até hoje é o único americano a ter presidido o Executivo e o Judiciário americano.

[4] Senador Estadual de Nova York pelo 26º Distrito (1911 – 13)

[5] Secretário Assistente da Marinha (1913 – 20)

A Virtude Teologal da Esperança

O York Blog publicará nas próximos quartas-feiras uma sequência de Audiências Públicas dos Papas João Paulo I (1978) e João Paulo II (1978-2005) realizadas em 1978 sobre as três virtudes teologais (pelo Papa João Paulo I) e as quatro virtudes cardinais (pelo Papa João Paulo II). Essas virtudes estão imensamente presentes nos nossos rituais e devem ser tratadas com a devida atenção. Esperamos que os textos, que não são especificamente maçônicos, possam ajudar os maçons a trabalharem e entenderem melhor essas virtudes.

Todos os textos foram retirados diretamente do site do Vaticano já traduzidos para o Português.

 

A VIRTUDE DA ESPENÇA

por João Paulo I

20 de Setembro de 1978

Entre as sete “lâmpadas da santificação”, a segunda era, para o Papa João, a esperança. Falo-vos hoje desta virtude, que é obrigatória para cada cristão. Dante, no seu Paraíso (Cantos 24, 25 e 26), imaginou apresentar-se a um exame sobre o cristianismo. Funcionava uma comissão categorizada. “Tens fé?”, pergunta-lhe, primeiro, São Pedro. “Tens esperança?”, continua São Tiago. “Tens caridade?”, termina São João. “Sim — responde Dante — tenho fé, tenho esperança, tenho caridade”. Demonstra-o e fica aprovado por unanimidade.

Disse eu que é obrigatória. Mas não é, por isto, a esperança feia ou dura: pelo contrário, quem a vive viaja num clima de -confiança e de entrega, dizendo com o salmista: “Senhor, tu és a minha rocha, o meu escudo, a minha fortaleza, o meu refúgio, a minha lâmpada, o meu pastor, a minha salvação. Mesmo que um exército se formasse contra mim, o meu coração não temeria; e se contra mim se levantar a batalha, mesmo então terei confiança”.

Direis: Mas não é exageradamente entusiasta este salmista? lá possível que a ele as coisas tenham sempre corrido tão bem? Não, não lhe correram sempre bem. Sabe e diz que os maus são muitas vezes afortunados e os bons oprimidos. Disto se lamentou até por vezes dirigindo-se ao Senhor; chegou a dizer: “Porque dormes, Senhor? Porque te calas? Desperta, ouve-me, Senhor”. Mas a sua esperança manteve-se firme, inabalável. A ele, e a todos quantos esperam, se pode aplicar o que disse São Paulo de Abraão: acreditou esperando contra toda a esperança (Rom. 4, 18). Direis ainda: Mas como pode acontecer tal coisa? Acontece, porque nos apegamos a três verdades: Deus é omnipotente, Deus ama-me imenso e Deus é fiel às promessas. E é Ele, o Deus da misericórdia, que acende em mim a confiança; por isso não me sinto nem só, nem inútil, nem abandonado, mas integrado num destino de salvação, que um dia virá a levar-me ao Paraíso. Aludi aos Salmos. A mesma confiança segura vibra nos livros dos Santos. Gostaria que lêsseis uma homilia feita por Santo Agostinho no dia de Páscoa sobre oAleluia. O verdadeiro Aleluia — diz aproximadamente — cantá-lo-emos no Paraíso. Este será o Aleluia do amor pleno; o de agora, é o Aleluiado amor faminto, isto é, da esperança.

Dirá alguém: Mas se eu sou pobre pecador? Respondo-lhe como respondi a uma senhora desconhecida, que se confessava a mim já lá vão muitos anos. Estava desanimada porque — segundo afirmava — tinha tido uma vida moralmente borrascosa. Dá-me licença de lhe perguntar: quantos anos tem? — 35. — 35! Mas pode viver outros 40 ou 50, e fazer ainda um bem muito grande. Assim, arrependida como está, em vez de pensar no passado, projecte-se no futuro e renove, com a ajuda de Deus, a sua vida. Citei naquela ocasião São Francisco de Sales, que fala das “nossas caras imperfeições”. Expliquei: Deus detesta as faltas, porque são faltas. Mas, por outro lado, em certo sentido, ama as faltas, enquanto Lhe dão ensejo de mostrar a sua misericórdia e a nós o de permanecermos humildes e compreendermos as faltas do próximo e delas nos compadecermos.

Nem todos partilham esta minha simpatia pela esperança. Nietzche, por exemplo, chama-lhe “virtude dos fracos”. Segundo ele, faz do cristão um inútil, um solitário, um resignado e um estranho ao progresso do mundo. Outros falam de “alienação”, dizendo que afasta os cristãos da luta em favor da promoção humana. Todavia “a mensagem cristã — disse o Concílio não afasta os homens da construção do mundo… impõe-lhes, ao contrário, um dever mais rigoroso” (Gaudium et Spes, 34. Cfr. nn. 39 e 57; e Mensagem ao Mundo dos Padres Conciliares, de 20 de Outubro de 1962).

Têm surgido de vez em quando no decurso dos séculos afirmações e tendências de cristãos demasiado pessimistas quanto ao homem. Mas tais afirmações foram desaprovadas pela Igreja e esquecidas graças a uma falange de santos alegres e activos, graças ao humanismo cristão, aos mestres de ascética que Saint-Beuve chamou “les doux” e graças ainda a uma teologia compreensiva. São Tomás de Aquino, por exemplo, coloca entre as virtudes a iucunditas ou seja a capacidade de converter num sorriso alegre — na medida e no modo conveniente — as coisas ouvidas e vistas (Cf. 2.2ae, q. 168, a. 2). Jucundo deste modo — explicava aos meus alunos — foi aquele pedreiro irlandês, que se precipitou do andaime e quebrou as pernas. Levado ao hospital, vieram o médico e a Irmã enfermeira. “Pobrezinho — disse esta última feriu-se muito caindo”. Replicou o ferido: “Madre, não foi precisamente caindo, mas chegando ao chão é que me feri”. Declarando ser virtude gracejar e fazer sorrir, São Tomás encontrava-se de acordo com a “alegre nova” pregada por Cristo, com a hilaritas recomendada por Santo Agostinho. Vencia o pessimismo, revestia de alegria a vida cristã, convidava-nos a tomar “animo também com os gozos sãos e puros que se nos deparam no caminho. Quando eu era rapaz, li alguma coisa sobre Andrew Carnegie, escocês, que imigrou com os pais para a América e chegou pouco a pouco a ser um dos maiores ricaços do mundo. Não era católico, mas impressionou-me que falasse com insistência das alegrias genuínas e autênticas da sua vida. “Nasci na miséria — dizia —, mas não trocaria as recordações da minha meninice com as dos filhos dos milionários. Que sabem eles das alegrias familiares, da terna figura da mãe que junta em si os cargos de encarregada de crianças, de lavadeira, de cozinheira, de mestra, de anjo e de santa?”. Muito novo empregara-se numa fiação de Pittsburg com 56 míseras liras mensais de salário. Uma tarde, em vez de lhe dar logo a paga, o tesoureiro disse-lhe que esperasse. Carnegie tremia: “Vão-me agora despedir”. Pelo contrário, depois de pagar aos outros, o tesoureiro disse-lhe: “Andrew, tenho reparado atentamente no seu trabalho; concluí que vale mais que o dos outros. Subo-lhe o salário para 67 liras”. Carnegie de corrida voltou a casa, onde a mãe chorou de contentamento devido à promoção do filho. “Falais de milionários — dizia Carnegie muitos anos depois —, todos os meus milhões colocados juntos não me deram nunca a alegria daquelas 11 liras de aumento”. Certamente, estas alegrias, ainda que boas e animadoras, não têm o valor todo; são alguma coisa, não são tudo; servem de meio, não são o fim último; não duram sempre, mas só breve tempo. “Delas usem os cristãos — escrevia São Paulo —, mas como se delas não usassem, porque a aparência deste mundo passa” (Cfr. 1 Cor. 7, 31). Cristo já dissera: Procurai primeiro que tudo o reino de Deus (Mt. 6, 33).

Para terminar, desejava aludir a urna esperança, por alguns chamada cristã, mas que só é cristã até certo ponto. Explico-me: no Concílio também eu votei a “Mensagem ao Mundo” dos Padres Conciliares. Dizíamos nela: o cargo principal de divinizar não exime a Igreja do cargo de humanizar. Votei a Gaudium et Spes; comovi-me e entusiasmei-me quando saiu a Populorum Progressio. Julgo que o Magistério da Igreja nunca insistirá demais em apresentar e recomendar a solução dos grandes problemas da liberdade, da justiça, da paz e do desenvolvimento; e os leigos católicos nunca se baterão suficientemente para resolver estes problemas. É, porém, erro afirmar que a libertação política, económica e social coincide com a salvação em Jesus Cristo, afirmar que o Regnum Dei se identifica com o Regnum hominis, que Ubi Lenin ibi lerusalem. Em Friburgo, no 85° Katholikentag foi tratado, nestes últimos dias, o tema “o futuro da esperança”. Falava-se do “mundo” que é preciso melhorar, e a palavra “futuro” vinha a propósito. Mas se da esperança para o “mundo” se passa à esperança para cada alma, então é necessário falar também de “eternidade”. Em Ostia, à beira-mar, numa famosa conversa, Agostinho e Mónica, “esquecidos do passado e voltados para o futuro, perguntavam-se que viria a ser a vida eterna” (Confissões IX, n. 10.). Tal é a esperança cristã; a esta se referia o Papa João e a esta nos referimos nós, quando, com o catecismo, oramos: “Meu Deus, espero da vossa bondade… a vida eterna e as graças necessárias para a merecer com as boas obras, que eu devo e quero fazer. Meu Deus, não fique eu confundido eternamente”.

Presidentes Americanos Maçons (Parte 3)

O York Blog publicará nas próximas segundas uma sequência de resumos biográficos dos Presidentes Americanos Maçons publicado pela Grande Loja do Texas.

Presidentes Americanos Maçons

Por Grande Loja do Texas

Tradução: Luiz Felipe Rosenzweig Ferreira

JAMES A. GARFIELD, 20º PRESIDENTE AMERICANO (1881)

James A. Garfield nasceu no Condado de Couyahoga, Ohio, em 19 de de novembro de 1831. Órfão aos dois anos de idade, mais tarde trabalhou como guia de barcos no canal, para juntar algum dinheiro para sua educação. Ele graduou no Williams College em Massachusetts em 1856, e retornou para a Western Reserve Eclectic Institute (mais tarde Hiram College) em Ohio como classics professor. Em um ano assumiu como presidente. Garfield foi iniciado em 19 de novembro de 186 na “Magnolia Lodge” em Columbus, Ohio. Devido às obrigações com a Guerra Civil Garfield não recebeu o terceiro grau antes de 22 de novembro de 1864 na “Columbus Lodge” em Columbus, Ohio. Em 10 de outubro de 1866 filiou-se na “Garrettsville Lodge” em Garrettsville, Ohio. Garfield foi membro fundador da “Pentalpha Lodge” em Washington, D.C. O Irmão Garfield foi eleito presidente em 1880 por uma margem de apenas 10.000 votos populares[1] e foi empossado em 4 de março de 1881. Seu mandato foi interrompido quando um advogado amargurado que buscava um posto consular atirou nele em 2 de julho de 1881 em uma estação de trem[2] de Washington. Mortalmente feriado o Irmão Garfield morreu no dia 19 de setembro de 1881.

WILLIAM McKINLEY, 25º PRESIDENTE AMERICANO (1897 – 1901)

Nascido em Niles, Ohio, em 29 de janeiro de 1843, McKinley frequentava o Allegheny Collegge e ensinava em uma Country School[3] quando a Guerra Civil começou. Alistou-se como soldado no Exército da União[4] e durante a guerra foi promovido a Major. Após a guerra estudou Direito e estabeleceu-se em Canton, Ohio, e casou-se com Ida Saxton, filha de um banqueiro local. McKinley foi iniciado, passado e elevado na “Hiran Lodge” em Winchester, Virgínia, em 1865 e filiou-se à “Canton Lodge” em Canton, Ohio, em 1867, posteriormente foi membro fundador da “Eagle Lodge”, também em Canton. McKinley foi eleito governador de Ohio em 1891 e serviu por dois mandatos entre 1892 e 1896. Em 1897 foi empossado como Presidente e reeleito para o segundo mandato em 1900. O segundo mandato de McKinley como presidente chegou ao fim em setembro de 1901 enquanto frequentava a Pan-American Exposition em Buffalo, Nova York, foi baleado por um homem perturbado. McKinley morreria oito dias depois em 14 de setembro tornando-se o segundo presidente americano maçom a ser assassinado.

 

THEODORE ROOSEVELT, 26º PRESIDENTE AMERICANO (1901 – 1909)

Em virtude do assassinato do Presidente McKinsley em 1901 Theodore Roosevelt, que ainda não havia completado 43 anos, tornou-se o Presidente mais jovem da história da nação. Ele trouxe entusiasmo e energia para a Presidência quando levou ao Congresso e à população americana reformas progressistas e uma forte política externa. Ele nasceu em Nova York em 27 de outubro de 1858 em uma rica família. Embora sofresse e problemas de saúde na juventude era um praticante de esportes ao ar livre além de conservacionista[5]. Durante a Guerra Hispano-Americana Roosevelt era tenente-coronel do Rough Rider Regiment[6], que liderou a ofensiva na batalha de San Juan. Ele foi eleito governador de Nova York em 1898, servindo com distinção. Assumiu a presidência em setembro de 1901. Roosevelt recebeu os três graus na “Mantinecock Lodge” em Oyester Bay, Nova York. Ele foi muito dedicado a Maçonaria durante o resto da vida. Após a conclusão do mandato de McKinley Roosevelt foi eleito para um segundo mandato e serviu até 1909. Roosevelt morreu em 6 de janeiro de 1919 em Oyester Bay.

[1] A eleição no colégio eleitoral foi vencida com 57% dos delegados.

[2] A estação de trem foi fechada em 1907

[3] Escola rural com apenas uma classe para todas as séries em que há apenas um professor.

[4] Exército que lutava ao lado do governo e contava com diversos voluntários.

[5] Pessoa que defende e age pela proteção e preservação do meio ambiente e da vida selvagem.

[6] Primeiro Regimento de Cavalaria Voluntário dos Estados Unidos durante a Guerra Hispano-Americana.