Voltamos!

Nosso Blog ficou inativo durante o ano de 2015 mas agora chegou a hora de voltar. Esperamos que este se torne um espaço para divulgação de tudo que se refere ao nosso Rito de York. Faremos o possível para que diariamente tenhamos novas publicações. Um Feliz 2016 a todos!

Joana Angélica faz sua primeira Iniciação

Um ano após ser instalada, Iniciação - Joana Angélicaa Loja Joana Angélica realizou a sua primeira cerimônia de Iniciação, trazendo 3 novos membros a nossa ordem. Na mesma cerimônia, foi iniciado um 4º Candidato, este, da Loja Construtores da Esperança.

A Cerimônia aconteceu no Prédio da GLEB e contou com a presença de diversos Veneráveis Mestre da GLEB e do GOB, que compareceram acompanhados de suas comitivas.

Loja Construtores do Templo marca data de Instalação

A Loja Construtores do templo, fundada no último dia 18 de março, dia do DeMolay, na cidade de Itabuna, recebeu autorização da GLEB para marcar a data da sua instalação. A cerimônia acontecerá no dia 11 de abril, as 18:00 no Palácio Maçônico Joseph Rafle Salume, em Itabuna.

São esperados Maçons de toda a região, será a primeira vez que uma cerimônia maçônica acontecerá nas terras grapiúnas em rito diferente do REAA e Brasileiro. Está plantada mais uma semente do Rito de York na Bahia.

Iniciação na Joana Angélica

Convite IniciacaoNo próximo Domingo, dia 29 de março ocorrerá a Primeira Iniciação da Loja Joana Angélica. A cerimônia acontece as 09:45h da manhã no Templo de Salomão, no Palácio Maçônico da GLEB, na Rua Carlos Gomes. Cinco profanos serão iniciados em nossa ordem, sendo 4 candidatos da própria Loja e um da Loja Construtores da Esperança, de Camaçari que será iniciado por solicitação do Venerável daquela oficina.

Novos Construtores da Esperança

A Loja Construtores da Esperança, do oriente de Camaçari, realizou no sábado (21/03/2015) a iniciação de quatro novos irmãos. A equipe do Venerável Eddy fez um excelente trabalho, recepcionando os novos membros da nossa ordem na cerimônia que contou com a presença de visitantes de todas as lojas maçônicas da região.Iniciação Camaçari

22 de Fevereiro

Gerorge WashingtonNo Brasil, o dia do Maçom é comemorado em 20 de agosto, em homenagem ao ocorrido neste dia do ano de 1822, quando a assembléia do Grande Oriente do Brasil – GOB, proclamou a independência do país, decisão essa acatada por D. Pedro I pouco mais de duas semanas depois. São fartas as narrativas e as lendas sobre o episódio da nossa independência, que por anos foi romanceado e enfeitado pelos Estoriadores da nossa História.

Nos Estados Unidos, o dia do Maçom é comemorado em 22 de fevereiro, homenagem ao dia, no ano de 1732, em que nasceu George Washington, general da guerra de independência e primeiro presidente Norte Americano.

Je suis Charlie?: Uma perspectiva maçônica

Jean-Jullien-Je-Suis-Charlie-illustration_dezeenEstá viva ainda na memória de todos o infame atentado terrorista ao jornal francês Charlie Hebdo, ocorrido em janeiro deste ano. Estavam entre as vítimas dois maçons do Grande Oriente de França e o esposo de uma mestra de uma Loja Mista.

No mundo as manifestações a favor do jornal ganharam um tom: “Je suis Charlie”. Mas pode um maçom antigo e regular o ser?

Explico o porquê. O Charlie era um jornal iconoclasta radical, irreverente, ateu, libertino. Não respeitava a nada e nem a ninguém. Se Maomé foi retratado de maneira que os muçulmanos julgaram blasfema, também o cristianismo foi retratado de maneira ainda mais blasfema.

Dizer “Sou Charlie” significa endossar esses impropérios?

A Maçonaria tem uma origem religiosa bastante clara. Os antigos manuscritos dos nossos precursores operativos, todos, invocavam a proteção à Santíssima Trindade e submetiam o candidato a um juramento de fidelidade à Igreja.

Na fase especulativa, já as Constituições da Grande Loja de Londres (Modernos), feita por James Anderson, preconizava, sobre o maçom:

O maçom é obrigado a obedecer a Lei moral, e se ele compreende corretamente a Arte jamais será um estúpido ateu ou um libertino irreligioso.

Aquele mesmo documento estabelece que os maçons obedecerão “àquela religião na qual todos os homens concordam” (frase que por si só vale um tratado) e que nas Lojas nossas crenças particulares assim devem ser, de forma que a Maçonaria seja um centro de união e conciliação entre pessoas que, de outra forma, permaneceriam sempre distantes.

O Ahiman Rezon, as Constituições da Grande Loja dos Antigos, por seu turno, preconizava que

O maçom é obrigado pelo seu dever a acreditar firmemente na verdadeira adoração de Deus Eterno, bem como nos registros sagrados que os dignatários e os Pais da Igreja compilaram e registraram para o uso de todos os homens de bem. Assim, ninguém que compreenda corretamente a Arte jamais poderá seguir a senda irreligiosa e infeliz dos libertinos ou ser induzido a seguir as lições arrogantes dos promotores do ateísmo ou do deísmo. Não seguirá, também, os erros grosseiros da superstição cega, mas terá a liberdade de seguir a religião que julgue apropriada. (…) Para a Ordem, ao invés de ingressar na futilidade das disputas desnecessárias sobre as opiniões e persuasões dos homens, admite-se na fraternidade todas as que são boas e verossímeis.

A maçonaria desenvolveu naquele tempo um ânimo de se manter fora das disputas políticas e religiosas, não obstante muitos maçons fossem debatedores ativos em suas sociedades.

Na exortação ao novo aprendiz maçom o Mestre da Loja lembra ao iniciando que ele deve repudiar a blasfêmia ao Pai nos céus como se esta fosse dirigida aos seus pais na Terra (fórmula parecida com a dita, na sequencia dos ataques, por S.S. o Papa Francisco).

Os que foram DeMolay na juventude aprenderam as lições de tolerância e defesa da reverência pelas coisas sagradas.

Pois bem.

Muitas pessoas deploraram o ataque sofrido pelo Charlie Hebdo, entretanto ponderaram que o Charlie não deveria ter mexido com a religião alheia.

Como homens dignos e honrados – maçons – dificilmente nos meteríamos em querelas tais como feitas pelo Charlie. Mas não podemos cair no canto da sereia de achar que a liberdade de expressão não envolve o direito de ofender.

Irmãos: quando sentir-se ofendido der a alguém algum direito, creiam, todos se sentirão ofendidos por qualquer coisa.

Se aceitarmos que não se pode ofender caímos na armadilha de outorgar a alguém o poder de definir quais os limites da liberdade de expressão. Quem definiria o que é ofensivo? Quem definiria qual discurso é lícito, qual é ilícito? Sob que critérios?

A liberdade de expressão é fácil de se defender quando o discurso em questão nos é agradável.

Uma velha piada conta que um turista americano disse para Fidel Castro: “Nos Estados Unidos eu tenho o direito de subir num palanque e falar mal do presidente Bush!”, ao que o cubano respondeu: “Grande coisa. Aqui em Cuba eu também tenho liberdade de subir num palanque e falar mal do presidente Bush!”.

Ocorre, meus irmãos, que a liberdade de expressão só é verdadeira se ela incluir, também, os discursos que nós odiamos. Quem de nós é tão onissapiente e infalível capaz de afirmar peremptoriamente que está correto e o outro, errado?

Afinal, se assim não o for, quem garante que o discurso hoje lícito e aceitável para nós não seja considerado, amanhã, pernicioso e violento, a ser tolhido pelas leis e pelo populacho?

Já não é isso o que ocorre com qualquer um que receba hoje o rótulo de “machista”, “homofóbico”, “ racista”, muitas vezes rótulos completamente aleatórios?

Defender o direito do Charlie Hebdo de dizer seus disparates é apenas defender o direito de se viver num mundo em que o debate público, o “livre mercado de ideias” funcione. Como maçons não devemos permitir discussões políticas e religioso sectárias ocorram em nossas Lojas, mas não podemos ignorar que sem um discurso livre não faz sentido falar em liberdade religiosa ou política.

(Peça apresentada na Loja Maçônica Fraternidade, Auxílio e Verdade, n. 187 – GLEB, em 04/02/2015)

Artuzinho

Em agosto de 2012 um irmão apresentou em loja um texto onde falava sobre um acidente de trânsito ocorrido com um amigo, tirando a vida de uma criança, o Artuzinho. Fora o depoimento emocionado, questinando o motivo daquilo que ele chamava de brutalidade, referindo-se a conduta do outro motorista envolvido no acidente, o “Motorista da Hilux“. Deu vontade de escrever algo sobre o caso na época e, agora, em época de retorno de carnaval, achei pertinente publicar novamente…

“O Motorista da Hilux”

Publicado Originalmente em 11 de outubro de 2012

Há algumas semanas, no dia da sessão de homenagem ao dia dos pais, o depoimento/desabafo do Ir Luciano, narrando os acontecimentos do dia 29 de julho tocou a todos nós, e a mim de forma especial. É algo que vejo frequentemente em minha atividade profissional, é da mesma forma pela qual antes mesmo de eu nascer, perdi um avô, quando pequeno perdi um tio e há 5 anos pedi um primo, este último, no mesmo local do acidente de Artuzinho.

Preparei este texto para apresentar na reunião subsequente àquela, porém nesse dia o Irm Luciano não se fez presente, nas semanas subsequentes foram reuniões de Companheiro e Mestre, e as semanas foram passando sem que ambos estivéssemos aqui. Talvez este atraso tenha sido providencial, já que a cada semana eu atualizava os dados apresento a seguir, além de estarmos na semana nacional de trânsito.

Pesquisando nos sistemas da PRF, verifiquei que no mesmo dia do acidente de Artuzinho, nas Rodovias Federais ocorreram 518 acidentes, que deixaram 43 mortos. Sei que o Ir Luciano pode estar pensando: “Nossa, Artuzinho virou um número na estatística de mortos…” e eu digo, é ainda pior meu irmão, como ele saiu vivo do local do acidente, como ele ainda foi para o hospital, para as estatísticas mascaradas de nosso governo ele consta como “ferido”, um entre os 362 que ficaram machucados aquele dia.

Do acidente até hoje, passaram-se 72 dias, a ferida no coração da família e dos amigos ainda deve estar aberta Por falar em feridas, nesse mesmo período, outras 18.014 pessoas se machucaram em 32.022 acidentes que também deixaram 1.642 mortos. Isso sem contar os muitos “Artuzinhos” que do hospital não retornaram às suas famílias. Será que é só a mim que esses números assustam? Alguns dias atrás, quando liguei para a central da PRF solicitando esses dados, por coincidência fui atendido pela mesma colega que me forneceu os dados há cerca de um mês. Ela repetiu a pesquisa várias vezes, pois achava que havia algo de errado, em um mês não poderiam ter morrido tantas pessoas… Em 72 dias perdemos mais vidas do que os soldados que perdemos na segunda guerra, ficaram feridos o equivalente a 5% do número de pessoas que se feriram em 20 anos de guerra do Vietnã. E até agora só falei do meu quintal, só falei das Rodovias Federais, e em um período com parte do efetivo da PRF em Greve, nem tudo foi registrado.

Mas, atendendo a filosofia dos nossos governantes, vamos parar de falar de coisas sem importância, tais como vidas, dor, sofrimento Vamos falar do que interessa, vamos falar em dinheiro! Está lá no site do Ministério da Saúde: o equivalente a 60% do dinheiro da saúde pública do Brasil é gasto com atendimento às vítimas de acidentes de trânsito. Será que ninguém mais parou para olhar isso? Vi nessas eleições candidatos falando em projetos mirabolantes para salvar a Saúde, vejo prefeitos empurrando na falta de verba a culpa pela situação de hospitais como o que Artuzinho foi levado (o mesmo de meu primo), e ninguém fala em fechar esse gargalo que leva mais da metade dos recursos.

Mas e agora? Como podemos transformar essas palavras em algo útil, como podemos usar nossa indignação para salvar uma vida que pode ser a nossa, a do nosso filho… afinal, quem aqui nunca perdeu um conhecido em acidente?

Às vezes duvidamos da nossa capacidade de mobilização. Algumas semanas atrás, transmiti aqui um pedido de socorro de um sobrinho DeMolay precisando de doação de sangue em Aracaju. O resultado da campanha é que em uma semana o banco de sangue de Sergipe recebeu mais doadores do que tem capacidade de atender em um ano. A Família Maçônica se mobilizou para salvar um sobrinho, por que não podemos nos mobilizar com o mesmo empenho para salvar milhares de vidas?

Não vou aqui dizer o que fazer, pois todos já sabem as regras de trânsito. Se alguém me vier dizer que conhece o motorista da Hilux do acidente de Arthuzinho e que ele é uma boa pessoa, um homem ou uma mulher de bem Desculpe a franqueza irmão Luciano, mas eu sou capaz de acreditar. Se me disserem que ele teve um pai que lhe ensinou o valor da vida, uma mãe que lhe ensinou a respeitar o próximo, que ele é um dito “cidadão de bem”, não vou duvidar Sabe por quê? Porque em algum momento, todos nós já fomos o “motorista da Hilux”, podemos não ter causado acidentes, mas já infringimos regras, já criamos situações de risco que pela graça do G A do U não resultaram em consequências mais graves. Basta dizes, que nesses mesmos 72 dias desde o acidente, foram registradas 287.730 autuações. São quase duzentos e noventa mil desrespeitos a alguma regra de trânsito! Duzentos e noventa mil situações de risco registradas, imagine-se o que não o foi. Apenas no plantão de ontem eu fiz 13 notificações de ultrapassagem proibida. O que faltou ao motorista da Hilux foi aquilo que pode evitar que um “cidadão de bem” se torne um criminoso, faltou educação de trânsito, que a meu ver também faz parte da educação doméstica. Até hoje vejo pais que mesmo com a cadeirinha no banco de traz preferem colocar o filho no colo, pois “Vai só dar uma voltinha” ou porque “ele estava chorando”. Vejo pessoas que deixam de usar o cinto porque “não vai pegar a estrada” ou que bebem antes de dirigir porque está “pertinho de casa”. Nas estradas acontece a mesma coisa. A placa diz que a curva é perigosa, mas eu confio em minha habilidade Está chovendo, mas eu confio na estabilidade do meu carro É proibido ultrapassar, mas não vinha nenhum carro Neste período que falei mais de 3.000 motoristas foram autuados por dirigir alcoolizados. Acredito que isso se deu por interferência do Pai Celestial! A mão do G A D∴ U pôs em seus caminhos a Polícia, se tivessem seguido, na curva seguinte poderiam encontrar o carro de algum “Arthuzinho”. Cuidado meus irmãos, tudo que fazemos serve de exemplo, é absorvido e às vezes copiado por nossos filhos. Lembremos que um dia eles podem dirigir uma Hilux.